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quarta-feira, 13 de junho de 2012

BRAZIL CLASSICS FIAT SHOW 2012

Por motivo de força maior, não pude estar presente no XX Encontro Nacional de Automóveis Antigos de Araxá neste ano que, pelo que pude ver da ótima cobertura da Teresa Gago do Portal Autoclassic, teve carros espetaculares, mas poucas novidades se comparado aos eventos anteriores. Além de um Benz 1911, um Cadillac 1916 e de um Le Zèbre 1909, já vistos em encontros passados, poucas caras novas no setor de veteranos. Dos grandes esportivos europeus, um Aston DB2 e duas Alfas SS (uma Giulia Sprint Speciale com carroceria Bertone e outra 1900 Super Sport com carroceria Touring) fizeram as honras da casa, enquanto uma seqüência de Porsche 911 acompanhados por um belíssimo 356 Speedster 1957 homenageavam o recente falecimento de Butzi Porsche, o criador do 911. Também dignos de nota foram um Austin-Healey 3000, um Cadillac Eldorado 1953 e uma Kombi 1950. Me pareceu notável a escassez de macchinas italianas e a presença significativa dos Mopar nacionais. Um Rolls-Royce Camargue entre os clássicos recentes, um Kaiser Carabella argentino e um Hispano-Suiza entre os grandes clássicos, além do Brasinca 4200 GT em destaque entre os nacionais, deram o toque final ao encontro que, mesmo parecendo não ter sido dos mais memoráveis, ainda sobra como o melhor do Brasil. O Troféu Roberto Lee foi para este Rolls-Royce Silver Ghost Springfield Berwick Saloon 1925 que já apareceu aqui no Antigomóveis em priscas eras. Um legítimo Rolls-Royce made in USA cuja fábrica também já teve a história contada por aqui. A foto é do Brazil Classics 2006.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O ROLLS QUE ATOLOU NA GRANJA

Para encerrar o ciclo de discussões sobre alguns dos Rolls-Royce que vieram parar nestas bandas ainda na antiguidade clássica, não resisto em invadir o espaço do Antigos VerdeAmarelo e publicar a foto enviada pelo leitor Dario Faria. Trata-se de uma das unidades da marca que pertenceram ao colecionador Flávio Marx, cuja história foi contada pelo Zullino no post sobre o Rolls baiano:
"essa história do rolls que era ghincho é do Flavio Marx, ele comprou de um japonês nas barrancas do rio paraná que usava como guincho, não emprestava, não vendia. O Flavio deve ter comprado dos herdeiros e mandou tirar o guincho e fazer uma carroceria torpedo. Mandou pintar de amarelo e preto e andava com o carro normalmente. Uma vez atolou ao sair de minha casa e ficamos até às seis da manhã para tirar o carro. Essa história eu garanto, pois vi o carro, andei e guiei."
Aparentemente, trata-se de um modelo Twenty, produzido entre 1922 e 1929 com um seis em linha de 3.1 litros, pouco menos da metade do tamanho do de um Silver Ghost, para ocupar a faixa de mercado logo abaixo deste e do New Phantom, mais aristocráticos, em uma estratégia que deve se repetir em breve com a produção do novo Ghost.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O FANTASMA INGLÊS

Falando agora dos Rolls-Royce genuinamente britânicos, chama a atenção a longevidade do projeto do 40/50, conhecido entre os amantes do automóvel como Silver Ghost em homenagem ao modelo inicial de 1907. Exemplos como o Ford T (1908-1927) ou o Volkswagen (1938-2003) também chamam a atenção pela vida longa de um mesmo projeto básico, mas foram eles modelos destinados um uma clientela muito menos exigente do que os compradores da Rolls-Royce que, de 1907 a 1925, adquiriam da fábrica de Derby os chassis e encomendavam as carrocerias a firmas independentes, tendo que suportar uma longa espera para desfilar a bordo de um dos 6100 40/50 produzidos (fora os 1700 Springfield Ghosts, como o do post abaixo). A estratégia funcionou bem até o início dos anos 20, quando os aperfeiçoamentos técnicos da concorrência forçaram o aparecimento do New Phantom no ano de despedida do Silver Ghost. O modelo da foto é de 1921 e foi premiado com o Troféu Roberto Lee no distante ano de 1997, quando este que vos escreve esteve em seu primeiro encontro de automóveis antigos, ainda em São Lourenço.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

SPRINGFIELD GHOST, MAS PODE CHAMAR DE ROLLS BAIANO

A interessantíssima história dos Rolls-Royce fabricados em terras americanas já foi contada aqui, mas esta unidade, agraciada com o Troféu FIVA no Brazil Classics 2006, merece um post especial pelo currículo digno de aparecer no Blog do Guilherme. Trata-se de um Silver Ghost Springfield Berwick Saloon 1925 (não 1923, como sugere a placa) adquirido de segunda mão da família Dupont, logo após a II Guerra, por um barão do cacau da Bahia, que o manteve por muito tempo. O Rolls ficou fora de circulação nas décadas seguintes, tendo sido localizado por Roberto Lee, que o considerou um dos carros mais importantes do Brasil, e reapareceu para o grande público somente em 2006 para deleite dos amantes dos grandes clássicos - especialmente daqueles que estão em terras brasileiras desde muito antes de alguém cunhar o termo Antigomobilismo.

terça-feira, 30 de março de 2010

DOIS ÍCONES


O luxo europeu na figura da Spirit of ecstasy do Rolls-Royce e a esportividade norte-americana representada pelas bandeirinhas cruzadas da Chevrolet em foto artística deste que vos escreve...
Bom feriado a todos!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O MELHOR CARRO DO MUNDO


Para fazer o contraponto com o post do Zappo aí embaixo, eis a foto do carro que deu fama à Rolls-Royce, o Silver Ghost 1907, flagrado no encontro de Pebble Beach 2004. Derivado de um modelo concebido para competições de rali - nas quais foi pilotado pelo próprio Charles Rolls - ele era chamado, inicialmente, de 40/50 hp em alusão à potência fiscal, mas ganhou o famoso nome após a apresentação da unidade acima, um modelo-conceito destinado apenas a promover a marca entre os ricaços ingleses, que receberam bem suas linhas sóbrias - na época, os adornos dos automóveis de luxo eram de um detalhamento digno de uma catedral barroca. A fama veio não só pela nobreza do desenho, mas pela confiabilidade, maciez e silêncio do seis em linha de 7.0 litros e 48 hp brutos, dotado de um conjunto de virabrequim e volante do motor bastante pesado, capaz de inibir qualquer vibração, e que foi o responsável pelo nome fantasmagórico, já que era difícil perceber o seu funcionamento por causa de tamanha suavidade. Produzido até 1925 como único modelo da marca, sua aparência variava bastante porque a Rolls-Royce só fornecia os chassis e conjuntos mecânicos e deixava a carroceria a cargo de firmas independentes, o que só aumentava a aura de exclusividade do modelo, que chegou a ser produzido também nos EUA. Voltando ao carro da foto, ele foi vendido depois do lançamento e usado até como veículo de trabalho durante a II Guerra, após a qual ele foi recomprado pela marca e preservado para a posteridade. Se tudo isso faz do Silver Ghost o melhor do mundo, é difícil dizer, mas os espertos ingleses nunca perdem esse tipo de oportunidade e a fama ficou...

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

EUROPA X AMÉRICA - ROUND VIII

Para fechar o mês de outubro, mais um choque cultural na arte de fa-zer carros, dessa vez com dois dos mais elegantes cupês da virada dos anos 70. O Rolls-Royce Corniche cupê 1973, bastante raro no Brasil, é a versão esporte-fino do bem-sucedio sedã Silver Shadow, já conhecido dos leitores deste blog, que mantém todo o refinamento na construção e no interior, além do V8 6.2 litros de potência "suficiente", segundo a tradição da marca de não divulgar a cavalaria dos seus carros (tinha cerca de 189 cv líquidos). Produzido entre 1966 e 1982, o cupê inglês acabou não se revelando tão bem-sucedido quanto o sedã, mas serviu de base para o desejável conversível, que ficou na linha de produção até 1996, tendo o nome Corniche surgido apenas em 1971. Enquanto o Silver Shadow representava um novo segmento a ser explorado pela Rolls-Royce, o Lincoln Continental Mark III, lançado em 1969, fazia parte de uma nobre linhagem, surgida trinta anos antes com um dos mais bonitos carros americanos do pré-guerra, que ficou famosa com o assassinato do Presidente Kennedy em 1963. Dotado de refinamentos como freios ABS e ar-condicionado automático (lembre-se, estamos em 1969!), ele mantinha a classe com um estilo discreto e elegante, mais próximo dos carros europeus do que os modelos da rival Cadillac e fiel, portanto, à idéia do Continental 1940, cuja proposta era dar ao consumidor americano a oportunidade de adquirir um carro com o bom-gosto do Velho Continente - a partir da segunda série 1969, os proprie-tários tinham até relógio Cartier no painel. Como curiosidade, vale lembrar que esse modelo serviu de inspiração para a remodelação do Landau nacional feita em 1976. A motorização contava com o V8 460 (7.6 litros) de 365 hp brutos que, aliados à sofisticação do interior e à magia do nome Continental, são argumentos mais do que suficientes para meu voto ir para o Lincoln. Europa 4 x 4 América.

sábado, 30 de agosto de 2008

EUROPA X AMÉRICA - ROUND IV

Em meados dos anos 60 , a Rolls-Royce decidiu expandir seu mercado e abocanhar os altos executivos americanos, que se serviam, principalmente, dos Cadillacs, lançando um modelo mais acessível, o Silver Shadow, primeiro Rolls de construção monobloco - na foto, um Silver Shadow I de 1972. Menos pomposo do que seu antecessor Silver Cloud e do que os aristocráticos Phantom V e VI, ele se servia de um moderno V8 de 6.2 litros e se tornou o maior sucesso da marca, com 25 mil unidades produzidas entre 1965 e 1980. Já o Cadillac Fleetwood 1971 da foto abaixo era o veículo de representação padrão na altas rodas de Wall Street ou Hollywood, que veneravam sua maciez, espaço de sobra e abundância de torque vindo do V8 500 (isso mesmo, quinhentas polegadas cúbicas, 8.2 litros!). Se não tinha revestimen-to em couro Connolly nem painel em nogueira da Itália, seu interior era todo elétrico e os recursos tecnológicos como nivelamento automático da suspensão (introduzido em 1964 com os amortecedores Delco Superlift), temporizadores e acendimento automático dos faróis (lançados em 1965) já eram marca registrada da Cadillac. Curiosamente, os dois tinham a mesma caixa automática, a GM Turbo-Hydramatic 400. Eu fico com o couro Connolly, o painel em nogueira e a Spirit of Ecstasy sobre o radiador. Europa 2 x 2 América.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

BRITÂNICO MADE IN USA

As grandes marcas muitas vezes carregam consigo curiosidades pouco comentadas no meio antigomobi-lista, como a fabrica-ção, fora da Inglaterra, de um dos maiores símbolos britânicos. Entre 1921 e 1931, a Rolls-Royce teve uma fábrica nos EUA, em Springfield, MA, onde fabricou os modelos Silver Ghost e Phanton I, num total de 1701 veículos. Com o mesmo luxo, mesmo padrão de qualidade e mesma aura aristocrática, os "Springfield Ghosts" são identificáveis por terem a Spirit of Ecstasy - que os americanos insistem em chamar de Flying Lady - (acima) substituídos por uma imagem em cristal Lalique parecida (à direita). Apro-veitando as fotos, reparem no monograma RR estampado no radiador: quando pintado em vermelho, indica que é anterior a 1933; com a morte de Sir Henry Royce nesse ano, ele passou a ser pintado de preto.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O ROLLS-ROYCE DO GETÚLIO

O irmão gêmeo do Rolls presiden-cial foi objeto de polêmica durante alguns anos. Adquirido junto com o conversível pelo Presidente Getúlio Vargas, o modelo fechado não pertenceu à União e era seu carro de uso pessoal, tendo sido devolvido à família Vargas somente cerca de quatro anos depois do suicídio de Getúlio. Após algumas mudanças de dono, o Rolls-Royce Silver Wraith Touring Limousine 1953 está bem preservado na coleção do casal Nilson e Edenise Carratu, os organizadores do encontro de Águas de Lindóia. Seu motor de seis cilindros em linha e 4.6 litros desenvolve cerca de 150 cv - desde o final dos anos 20, a Rolls-Royce não revela a potência dos seus carros, declarando-a como "suficiente" - e, como em toda máquina dessa estirpe, tem funcionamento extremamente suave. Os dois modelos se reencontraram no Brazil Classics 2004 após 50 anos de separação e, como disse o colecionador Júlio Penteado, se olhássemos bem, viríamos lágrimas de emoção saindo dos farós de cada um...