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sexta-feira, 13 de julho de 2012

A ESTRELA TCHECA

Conhecido na Europa Ocidental como Estelle, o Skoda 120L da foto foi o modelo padrão dos cidadãos tchecos e húngaros nos tempos da Cortina de Ferro, enquanto os conterrâneos Tatra ficavam reservados apenas aos dirigentes comunistas. Se a sua estética lembra um pouco a do romeno Dacia Denem (que nada mais era do que um Renault 12 produzido sob licença), as soluções mecânicas descendiam do Skoda 100, com motor e tração traseiros e refrigeração líquida. As evoluções, além da estética sintonizada com os anos 70, eram o aumento da cilindrada para 1.2 litro (daí a nomenclatura 120) e o radiador montado na dianteira, em uma solução semelhante à vista nas atuais Kombis brasileiras. Produzido entre 1976 e 1990, ele teve um sucessor bem mais conhecido entre os entusiastas ocidentais: o Favorit, que rompeu com o conceito de motor e tração traseira e passou tudo para frente. O modelo acima, já com os faróis adotados nos anos 80, é o xodó do proprietário e foi fotografado hoje em Budapeste.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

ÁGUAS DE LINDÓIA 2012 - REENCONTRO INESPERADO



Uma marca relativamente obscura pela qual eu tenho a maior simpatia é a tcheca Tatra, cujos modelos, segundo as tradições antigomobilistas, teria inspirado o Dr. Porsche na concepção do KdF-Wagen. Polêmicas à parte, lembro bem do meu primeiro contato com um Tatra em Araxá/2004, registrado nessa foto - sem dúvida, foi o carro que mais me chamou a atenção naquele evento e alguns detalhes ficaram registrados de tal maneira que eu tive certeza de que, oito anos depois, se tratava da mesma unidade, devidamente restaurada, esperando um novo dono. Ai, ai...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

HÁ VAGAS # 13 - UM CLÁSSICO SOCIALISTA


Muito embora os Ladas e Trabants tenham entrado no imaginário do grande público como os símbolos da indústria automotiva do lado de lá da Cortina de Ferro, o melhor modelo da era socialista não surgiu na URSS nem na RDA, mas na Tchecoslováquia, possivelmente o país do Pacto de Varsóvia que manteve maior independência de Moscou nas décadas de 50 e 60. Conhecida pelos seus modelos aerodinâmicos dos anos 30, cujo desenvolvimento acabou prejudicado pelos nazistas após a ocupação do país pela Alemanha em 1938, a Tatra se reestruturou após a II Guerra para produzir o Tatraplan e veículos de trabalho, já sob supervisão soviética. A partir de 1957, no entanto, os engenheiros tchecos acharam uma brecha para produzir o desejável 603, um sedã de luxo dotado de um V8 traseiro refrigerado a ar de 2.5 litros e 96 cv líquidos. Como suas qualidades se chocavam com a austeridade pregada pelo regime comunista, o modelo ficou restrito a dirigentes do partido e a chefes de estado do bloco socialista - até Fidel Castro teve o dele - em uma bela resposta do povo tcheco à incômoda influência do Kremlin sobre os rumos da nação. O desenho revolucionário e insubordinado do modelo 1967 da foto, flagrado pelo Paulo Keller em um museu em Tampa, FL, parece antecipar a Primavera de Praga do ano seguinte e seria ele o eleito para a décima-terceira vaga do galpão. Provavelmente, também seria o escolhido para ser usado naqueles dias em que queremos marcar presença em uma festa de novos-ricos ou na porta de um restaurante metido a besta - sem deixar o perplexo manobrista encostar no carro, obviamente!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

PANAMERA - AVANT-PREMIÈRE


Voltando aos Tatra, eis o último automóvel produzido pela marca durante o regime socialista, o enorme T-613, cujo elegante desenho era assinado por Vignale. Desenvolvido para uso exclusivo dos dirigentes do partido oficial, ele acabou usado também como viatura da polícia e, após a queda do Império Soviético, foi oferecido ao consumidor comum, tendo sido produzido de 1968 a 1996. Capaz de atingir os 200 km/h, o T-613 foi o melhor sedã de luxo de alto desempenho do lado de lá da Cortina de Ferro e poderia ser um interessante contraponto ao De Tomaso Deauville do post abaixo, mas seu desenho inusitado aliado à concepção mecânica pouco habitual - um V8 de 3.5 litros e 165 cv líquidos refrigerado a ar e montado na traseira - nos faz pensar como seria o Panamera nos anos 70, se a Porsche tivesse tido a idéia naquela época...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

POR ONDE ANDARÃO?

A foto acima foi tirada em Münster, na Alemanha, onde ocorre um dos maiores encontros de veículos Tatra da Europa. Pouco conhecida no Brasil, a marca tcheca é uma das mais antigas do mundo e ficou famosa entre os amantes do Volkswagen porque o modelo T-87 (em segundo plano) era muito admirado por Hitler e teria servido de inspiração para o projeto do Prof. Porsche, como já foi contado na história do Tatraplan T-600, que aparece em primeiro plano na foto. A razão do post, no entanto, é que esses dois modelos poderiam perfeitamente ter sido fotografados no Brasil, já que há por aqui um T-600, que está em uma coleção particular, e um T-87 que, até onde se sabe, ainda faz parte do acervo do Museu da Ulbra, fechado recentemente. Na opinião deste que vos escreve, trata-se de veículos de alto valor histórico por representarem um ramo importante da engenharia automotiva - que acabou "podado" mais por questões políticas do que técnicas, já que a Tatra foi uma das grandes vítimas da burocracia soviética - ao qual deveria ser dada maior relevância nas coleções brasileiras. Alguém sabe sobre o paradeiro desses carros ou se há mais deles por aqui?

domingo, 31 de agosto de 2008

CARRO ANTIGO TAMBÉM SOFRE...

Enquanto Berlim oferece Trabants, o pessoal de Praga resolveu faturar algum ressuscitando velhos Skodas para servirem de burros de carga para turistas mais nostálgicos. Entre-tanto, enquanto os Trabis conservam todo o charme e originalidade originais, os tchecos se viram como podem adaptando mecânica de manutenção mais fácil em carros de conservação quase sempre duvidosa (se fosse no Brasil, certamente eles teriam mecânica de Opala; será que em Praga eles usam mecânica de Lada?) e não se observa uma estrutura empresarial como no caso da Trabi-Safari de um post aí embaixo. Na maioria das vezes, são usados os modelos Felicia, já da época do regime comunista, mais novos do que o Skoda 422 da foto, que foi produzido entre 1929 e 1938 - muito antes da sua atual proprietária, a Volkswagen, pensar em existir...
Independentemente disso, o que se vê na República Tcheca é um enorme orgulho dos produtos locais, tanto que os Skodas são maioria esmagadora nas ruas - mais do que os Fiats em Belo Horizonte! - liderados pelo Octavia, que aparece à direita do pobre calhambeque.

domingo, 3 de agosto de 2008

VÍTIMA DA POLITICAGEM

Uma das mais antigas fábricas de carros do mundo, a Tatra produziu seu primeiro automóvel já em 1897, confirmando a posição de vanguarda dos tchecos no panorama cultural e industrial da Europa. Nos anos 30, comandada pelo engenheiro Hans Ledwinka, ela produziu os fantásticos T-77, que viriam a inspirar seu colega e conterrâneo Ferdinand Porsche no projeto do Volkswagen para a Alemanha nazista. Entretanto, a indústria tcheca viria a ser uma das mais prejudicadas pela geopolítica do século XX: mesmo sendo admirador dos Tatras, Hitler ordenou a interrupção de sua produção com a invasão da Tchecoslováquia em 1938, visando reservar mercado para os carros alemães. Depois da II Guerra, a produção seria retomada, já sem o comando de Ledwinka, com o Tatraplan, uma versão revisada e menos ousada do T-77, mas a burocracia soviética que dominou o leste europeu até 1990 prejudicou muito a marca, de modo que a Tatra acabou concentrando sua produção em caminhões a partir de 1952 e manteve apenas uma produção limitada de modelos de luxo exclusivos para os dirigentes comunistas. O Tatraplan T-600 1950 da foto, raríssimo no Brasil, tem motor boxer traseiro arrefecido a ar de 2.0 litros (52 cv líquidos) e suspensão independente por barras de torção em configuração muito parecida com a do Fusca. Atualmente, os tchecos produzem os veículos Skoda, marca que foi comprada pela Volkswagen, mas, ao conversar com um velho taxista de Praga sobre os carros do seu país, ele me falou orgulhosamente dos Tatras, uma das melhores demonstrações da capacidade técnica do povo tcheco.