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quarta-feira, 8 de junho de 2011

MAIS DAIMLER


O comentário do M no post anterior deve ter deixado os entusiastas dos modelos vintage curiosos; afinal, sabia-se da existência de apenas dois Daimler clássicos no Brasil, o Sedanca 1939 abaixo e este Daimler Six 1921, fotografado no Brazil Classics 2004 ainda com câmera de filme. Vencedor do Troféu FIVA naquela ocasião, ele era um forte candidato ao título de Best of Show, mas acabou preterido pelo Cadillac V12 Town Car 1935 no prêmio máximo do evento. A razão para tamanha importância em meio a tantos outros vintages de nobre estirpe (e preço nas alturas) está no motor de camisas deslizantes que, acionadas por árvore de comando, abriam janelas nas paredes dos cilindros, como em um dois-tempos, dispensando o sistema normal de válvulas normalmente exigido em um motor de ciclo Otto. Esse sistema, criado por Charles Knight (daí o automóvel acima ser também conhecido como Daimler-Knight) possibilitava melhor potência específica, tendo sido adotado também em larga escala pela Willys e em menor grau por diversos outros fabricantes. Entretanto, o consumo de óleo elevado e a durabilidade inferior acabaram determinando seu desuso, como ocorreria com os motores rotativos - que também dispensavam válvulas convencionais e tinham grande potência específica - cerca de cinqüenta anos depois.

terça-feira, 7 de junho de 2011

NOBRE INGLÊS DE ASCENDÊNCIA ALEMÃ


Considerada o fabricante de veículos mais antigo da Grã Bretanha, a Daimler Motor Company começou suas atividades em 1896 ao construir, sob licença, os motores de combustão interna do pioneiro alemão Gottlieb Daimler, tendo obtido deste a autorização para usar seu nome na Inglaterra. Seus veículos logo chamaram a atenção da nobreza britânica, que adotou a marca nas décadas seguintes - ao contrário do que se imagina, a rival Rolls-Royce nem sempre foi estreitamente ligada à nobreza e, nos anos 20, seu maior público eram os industriais, artistas e novos-ricos da Europa e EUA, ficando a então prestigiosa Daimler mais ligada à aristocracia. Considerada um dos expoentes da engenharia inglesa no período entre-guerras, a marca ficou associada ao desenvolvimento dos motores Knight, sem válvulas (que mais tarde fariam história sob a marca Napier equipando os caças Hawker Tempest da RAF), e da caixa pré-seletora, mas conheceu a decadência após o fim da II Guerra, já que seus modelos perderam progressivamente o apelo da exclusividade com a adoção de soluções baratas e estilo genérico para os modelos de entrada, que acabaram afastando seu exigente público. Em 1960, após o lançamento do malfadado SP 250 e em meio a dificuldades financeiras, veio a absorção pela Jaguar, ficando os Daimler relegados ao papel de Jags com grades e detalhes mais conservadores. O modelo da foto, um Sedanca Coupé Gurney Nutting 1939, com carroceria especial toda em alumínio, foi pensado para ser dirigido pelo proprietário, dispensando-se o motorista particular, e traz detalhes interessantes para mimar seu condutor: um macaco hirdáulico acoplado a cada roda, caixa pré-seletiva, teto removível para os ocupantes do banco dianteiro e acabamento rico em detalhes, como as charmosas portas revestidas em palha. O portamalas tinha compartimentos separados para bagagens e ferramentas e o motor de oito cilindros em linha, dotado de válvulas convencionais, tirava 83 cv de 4.0 litros. Como naquele mesmo ano a Europa entraria novamente em convulsão por causa da II Guerra e, após o conflito, a Daimler nunca mais foi a mesma, essa unidade é um verdadeiro canto de cisne, tendo levado para casa o Troféu Roberto Lee no Brazil Classics 2008.

terça-feira, 17 de maio de 2011

O GARGALHADA



Sempre lembrados por grandes esportivos como Jaguar XK 120 e E-Type, além das baratinhas de marcas menores que fazem, até hoje, a alegria dos entusiastas, os ingleses também erravam a mão em seus esportivos. Se o Jowett Jupiter é visto como um primor de desarmonia, apesar do bom desempenho, o Daimler Dart (depois renomeado SP 250 porque a Chrysler já era detentora do nome nos EUA) levava o conceito ao extremo. Nascido de uma tentativa de juntar a melhor tradição britânica de esportivos leves e ágeis com o que mais agradava ao consumidor americano - uma marca de prestígio, um carismático V8, enorme grade cromada e exuberantes rabos de peixe - o Dart é lembrado como um dos maiores desastres estilísticos da terra da rainha. Construído em fibra de vidro e dotado de um pequeno V8 2.5 de câmaras hemisféricas, carburação SU e 140 cv líquidos, ele até que vendeu bem em 1959, seu primeiro ano nos EUA, mas logo a fragilidade do chassi, que torcia facilmente, a pouca confiabilidade mecânica, a necessidade de mudar o nome por causa do Dodge Dart e os ataques da crítica especializada ao estilo heterodoxo (que rendeu o apelido do título do post) fizeram com que as vendas afundassem a partir do ano seguinte e o Dart acabou saindo de linha prematuramente, em 1964. O modelo da foto é de 1960, ano em que a Daimler passou a ser controlada pela Jaguar.