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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O FUSCA AUSTRÍACO


Aproveitando o comentário do Palíndromo no post anterior, eis o modelo Steyr 55, um veículo popular produzido na Áustria que guardava certa semelhança com o Volkswagen alemão, embora trouxesse motor boxer dianteiro refrigerada a água, uma unidade de 1.2 litro e 25 cv. Derivado do Steyr 50 - conhecido como Baby Steyr entre os colecionadores - ele teve a produção interrompida em 1940, após o incremento da produção de material bélico nas indústrias controladas pelo III Reich; depois da II Guerra, os veículos da empresa foram vendidos sob a marca Puch. Voltando aos Volkswagen militares do post anterior, é interessante comparar a linha do teto e as portas do modelo produzido pela Steyr com o popular da marca, bastante parecidos graças ao aproveitamento de parte do ferramental de produção. Ao todo foram produzidos 13 mil Steyr populares, entre modelos 50 e 55.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

EM TEMPO DE GUERRA


Quem gosta de Fuscas deve ler um pouco sobre a coleção de Bob Shaill, um inglês cujo acervo engloba o único Stoll Coupé produzido, conversíveis Hebmüller autênticos e esses dois curiosíssimos modelos militares, um Hanomag 1942 (na frente) e um Steyr 1939, destinados ao transporte de oficiais da Wehrmacht. A óbvia semelhança com o Volkswagen, do qual aproveitavam o chassi e a mecânica, associados a um desenho menos harmônico do que o do KdF-Wagen nazista de 1938, levam o leitor a pensar que são modelos que o antecederam na linha evolutiva do Fusca, o que não procede ao compararmos as datas - pode-se dizer que eles pertencem a um ramo do "clã VW" que não deixou descendentes. Praticamente desconhecidos, eles provavelmente são fruto de produção esporádica dessas fábricas sobre chassis remanescentes de veículos civis, já que o gigantesco complexo de Wolfsburg estava empenhado na fabricação de produtos mais vitais ao esforço de guerra alemão, como veículos militares leves, asas do caça Focke-Wulf 190 e a bomba voadora V1. Há notícias de outros Steyr sobreviventes, mas não na versão militar; as cores dos veículos, com camuflagem para o deserto, levam a pensar que eles foram usados no famoso Afrika Korps, do Marechal Rommel, mas trata-se apenas de uma suposição. A foto acima foi tirada pelo leitor Dario Faria em visita ao amigo inglês e gentilmente enviada por e-mail ao autor deste blog.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

COMEÇOU!

Embora, o-ficialmente, o século XX tenha se iniciado em 01 de janeiro de 1901 e terminado em 31 de dezembro de 2000, existe uma tendência entre os historiadores de classificá-lo como um "século curto" do ponto de vista geopolítico, iniciado com a I Guerra e terminado com a queda do Muro de Berlim. Se os historiadores estiverem corretos, poucas eras da história moderna tiveram início tão preciso quanto o "século do automóvel", exatamente em 28 de junho de 1914, quando o ativista sérvio Gavrilo Prinzip matou a tiros o casal herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, o Arquiduque Franz Ferdinand e sua esposa Sofia, em Sarajevo, desencadeando o conflito. Nada mais emblemático do que o casal imperial ter sido morto justamente a bordo de um automóvel, o Gräf & Stift 1910 da foto acima, que se encontra preservado no museu histórico de Viena. A marca surgiu em 1904, após a união dos irmãos Gräf, que vinham construindo automóveis desde 1893, com o investidor Wilhelm Stift tendo se tornado a mais respeitada marca austríaca de automóveis de luxo até a II Guerra, após a qual passou a produzir apenas ônibus e caminhões até 1971. Para os detalhistas, vale observar que o automóvel do Arquiduque nunca foi restaurado e ainda conserva as marcas das balas disparadas naquela tarde que mudou, para sempre, o rumo da história da civilização.