
A história do Tucker 1948 é bem conhecida: tendo faturado com contratos milionários para a produção de armamentos para as forças aliadas durante a II Guerra, o industrial Preston Tucker mergulhou de cabeça no sonho de ter sua própria marca de automóveis, mas esbarrou em questões que costumam derrubar empreendedores que tentam dar um passo maior do que as pernas. Seus defensores argumentam que, como o produto era muito superior ao que se produzia em Detroit, Tucker foi alvo de um impiedoso boicote comandado pelas Big Three que teria levado a empresa à bancarrota, enquanto seus detratores defendem que a fábrica nunca existiu de fato e que o Torpedo, apelido recebido pelo carro devido ao formato aerodinâmico, não passou de um golpe nos acionistas. A favor do segundo grupo está o único Torpedo no Brasil, hoje abandonado à própria sorte no extinto Museu de Caçapava. Conta-se que essa unidade chegou ao Brasil trazida pelo próprio Preston que, após a derrocada do seu empreendimento nos EUA, aportou no Brasil com a idéia de produzir um carro mais simples, o Carioca, sendo que o Torpedo lhe serviria como cartão de visitas para o GEIA, grupo executivo criado para formentar a indústria automotiva brasileira. Acontece que, quando teve suas contas examinadas pelo órgão brasileiro, Tucker supostamente teve sua licença para produzir automóveis no Brasil protelada (ou negada) até que sua morte prematura em 1956, vítima de um câncer de pulmão, encerrou para sempre um capítulo obscuro da fase que antecedeu a realidade do automóvel brasileiro.