Este é um clássico. Só quem confia muito nas próprias qualidades pode escancarar o que os concorrentes têm de melhor.
Simca do Brasil em Brasília -DF ...
Há 6 meses
Uma volta nos automóveis antigos e clássicos que marcaram época




O último post sobre os importados dos anos 90 que podem ser comprados hoje a preço de banana fez aparecerem algumas sugestões interessantes sobre qual seria o modelo mais atrente nessa faixa. Candidatos como Subaru SVX e Citroën XM chamaram a atenção, mas minha escolha reciairia em um sedã apto a ser usado no cotidiano com manutenção viável para médias anuais de 15 a 20 mil km. Mercedes 190E, BMW 325, Alfa 155, Audi 80 e Volvo S40 aparecem como candidatos naturais, sendo o sueco descartado logo de cara pelo desempenho sofrível do seu quatro cilindros 2.0 e pela plataforma mais genérica, a mesma do Mitsubishi Carisma; a Alfa e o BMW têm estilo excessivamente datado, enquanto o Mercedes parece uma escolha óbvia demais. Restou o belíssimo Audi 80 com seu pequeno V6 de 2.6 litros e 150 cv líquidos, verdadeiro sonho de consumo da classe média alta em 1994, quando Ayrton Senna assumiu a representação da marca no Brasil e passou a promover o sedã. Comparar sua performance com a dos rivais alemães e italiano seria exercício inútil, já que todos se mostram perfeitos para as exigências de motoristas sem dotes de piloto, como este que vos escreve (o único desses que nunca dirigi foi a Alfa 155), apesar de que a tração dianteira marca pontos contra o sedã de Ingolstadt frente os rivais de Munique e Stuttgart. Entretanto, seu estilo esportivo e ainda atual (reparem como o habitáculo estreito remete ao Fiat Linea), que carrega algo do carisma dos imbatíveis Audi quattro do WRC, aliado ao acabamento tão impecável quanto o do 190E, são suficientes para balizar meu voto, junto com um dos comerciais mais bem-bolados da história. Nada mal para uma linhagem surgida no final dos anos 60 como um Passat mais refinado e que ganhou plataforma independente de 1991 a 1995 até ceder lugar ao A4, que voltou a ser pouco mais do que um Passat com 4 argolas na grade (ou um Skoda, ou um Seat, como quiserem...). Ficaria bem junto com as outras peças da coleção. Agora, se eu teria sangue-frio para usá-lo no cotidiano, sujeito a portadas, amassadinhos e arranhões, é outra história...
De tempos em tem-pos, desde os primór-dios da história do automobi-lismo, surge um carro que estabelece novos padrões para a disputa, tornando-se a referência a ser superada nas temporadas seguintes. Exemplos como a Bugatti Tipo 35 dos anos 20, o Auto Union Tipo C de 1936 ou o Ford GT 40 do final dos anos 60 sempre vêm à cabeça, mas nenhum deles estabeleceu um abismo tecnológico tão grande em relação a tudo o que fora usado até então como o Audi quattro (com "q" minúsculo, mesmo) dos anos 80, com um fantástico sistema 4x4 que era considerado inviável, até então, em veículos de alto desempenho. Vencedora do WRC de 1982, a Audi retornaria ao primeiro lugar do pódio em 1984 com o quattro Sport da foto acima, de entreeixos mais curto e maior potência, vencendo diversas provas até a retirada da marca do mundial em 1986, após um desastroso acidente no Rali de Portugal (semelhante ao que fez a Mercedes após o acidente de Le Mans em 1955) que colocou fim ao Grupo B da competição. Apenas 220 unidades do Sport foram produzidas, tornando-o o maior clássico dos anos 80. Posteriormente, o quattro foi para as pistas norte-americanas, dominando de tal forma a Trans-Am que os organizadores proibiram a sua inscrição em 1989, como conta o Flávio Gomes. A compatibilização dos 304 cv líquidos do motor cinco cilindros de 2.1 litros e turbocompressor com a tração total veio da observação dos engenheiros da Audi sobre o ótimo comportamento dinâmico aliado à genial simplicidade do sistema usado no utilitário DKW Munga dos anos 50, idêntico ao Candango brasileiro. O que os livros sobre a Audi não contam é que o grande Jorge Lettry notou tal fato 20 anos antes, como relatou o jornalista Bob Sharp na Quatro Rodas de julho/2008, por ocasião da morte do pioneiro da Vemag.