domingo, 14 de setembro de 2008

IMBATÍVEL

De tempos em tem-pos, desde os primór-dios da história do automobi-lismo, surge um carro que estabelece novos padrões para a disputa, tornando-se a referência a ser superada nas temporadas seguintes. Exemplos como a Bugatti Tipo 35 dos anos 20, o Auto Union Tipo C de 1936 ou o Ford GT 40 do final dos anos 60 sempre vêm à cabeça, mas nenhum deles estabeleceu um abismo tecnológico tão grande em relação a tudo o que fora usado até então como o Audi quattro (com "q" minúsculo, mesmo) dos anos 80, com um fantástico sistema 4x4 que era considerado inviável, até então, em veículos de alto desempenho. Vencedora do WRC de 1982, a Audi retornaria ao primeiro lugar do pódio em 1984 com o quattro Sport da foto acima, de entreeixos mais curto e maior potência, vencendo diversas provas até a retirada da marca do mundial em 1986, após um desastroso acidente no Rali de Portugal (semelhante ao que fez a Mercedes após o acidente de Le Mans em 1955) que colocou fim ao Grupo B da competição. Apenas 220 unidades do Sport foram produzidas, tornando-o o maior clássico dos anos 80. Posteriormente, o quattro foi para as pistas norte-americanas, dominando de tal forma a Trans-Am que os organizadores proibiram a sua inscrição em 1989, como conta o Flávio Gomes. A compatibilização dos 304 cv líquidos do motor cinco cilindros de 2.1 litros e turbocompressor com a tração total veio da observação dos engenheiros da Audi sobre o ótimo comportamento dinâmico aliado à genial simplicidade do sistema usado no utilitário DKW Munga dos anos 50, idêntico ao Candango brasileiro. O que os livros sobre a Audi não contam é que o grande Jorge Lettry notou tal fato 20 anos antes, como relatou o jornalista Bob Sharp na Quatro Rodas de julho/2008, por ocasião da morte do pioneiro da Vemag.

4 comentários:

Felipão disse...

Aliás, foi um piloto da casa que provocou esse acidente, o Joaquim Santos...

Um ano desastroso, que levou Henri Toivonen e seu navegador..

Enfim...

Belas lembranças, Luis

Julio Fachin disse...

Excelente escolha para um post. Como vc disse, o Audi quattro foi dominante e inovador pela tecnologia, considerada até então inviável pelo ponto de vista da durabilidade.
Tenho uma sugestão, que tal falar sobre o Porsche 917, também dominante em Le Mans e igualmente mitológico, com seus dois motores herdados do 911 e montados um atrás do outro? A média de velocidade do bólido perdura até os dias de hoje!
Abraço

Luís Augusto disse...

Valeu, Júlio, sugestão aceita. Só que, como sou uma negação em carros de corrida, vou ter que pesquisar um pouco...
O 917 é aquele que até os pilotos tinham medo dele, né?

Julio Fachin disse...

Exato, o carro possuía dois motores de Porsche de rua preparados, carroceria bastante aliviada entre outros "venenos". O recorde de velocidade e volta do 917 duram até hoje, e são praticamente imbatíveis.