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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

GOLPE DE MESTRE


Conhecido pelos antigomobilistas como um dos modelos mais rebuscados da história do automóvel (até vigia traseiro que subia e descia, como os vidros das portas, ele tinha, entre outras diversas soluções inusitadas), o Mercury Turnpike Cruiser acabou marcando época também por ter se antecipado às tendências do final da década como um dos primeiros americanos a usar faróis duplos. Na verdade, a legislação dos EUA proibiu tal recurso em veículos nacionais até 1956, mas já era notório que a restrição cairia no ano seguinte. A Mercury então, muy espertamente, lançou seu top-de-linha - destinado a cruzar a América nas então novíssimas Interstates, como seu nome sugeria - no Salão de New York, no final de 1956, ainda antes da regulamentação dos quatro faróis, mas o colocou no mercado alguns meses depois, já dentro da lei na maioria dos estados, quando a linha 1957 da concorrência já estava no mercado com apenas um par de faróis, em uma jogada de marketing digna de aplausos. A linha dos paralamas continuava semelhante ao restante da linha Ford, como pode ser visto na comparação com o Fairlane 1957 vermelho e branco, ao fundo, do mesmo ano do Mercury dos Rufino, do Celeiro do Carro Antigo, que levaram a raridade no Brazil Classics 2008.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

PÔNEI OBESO

Se, em seus primeiros anos, o Mercury Cougar já apontava para uma preocupação maior com o requinte do que com a esportividade, a segunda geração do primo de luxo do Mustang, lançada em 1971, perdia de vez os traços esportivos e se distanciava muito do conceito original, ao contrário dos rivais Dodge Challenger e Pontiac Firebird, que se mantiveram mais fiéis ao espírito dos pony-cars na virada dos anos 70. Apesar do desenho mais para carro de executivo do que para esportivo jovial, sua disposição para acelerar continuava intacta antes da crise do petróleo, com o belíssimo motor V8 Cleveland 351 chefiando a gama de ofertas - havia também o big block 429, de concepção bem menos refinada. O tempo, entretanto, mostraria que o design massivo do Mercury seria a tendência a ser seguida pela indústria americana nos anos 70, que nunca mais alcançou a leveza das linhas que fizeram escola na década anterior.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

PÔNEI DE LUXO

Visual simples e descolado, sem se remeter aos modelos baratos do segmento de entrada; espírito jovem, invocando esportivida-de, sem pretensões nas pistas de corrida e sem as chateações inerentes aos carros-esporte da época; baixo preço no modelo básico com opcionais de modelos de luxo; e, o mais importante, carisma de sobra, fizeram com que o segmento dos pony-cars causasse uma verdadeira revolução no mercado norte-americano ao oferecer aos jovens motoristas um esportivo acessível e descomplicado. Como a proposta se baseava essencialmente na simplicidade do conceito, nada mais natural que as Big Three americanas escolhessem suas marcas de entrada para a linha de frente com Ford Mustang, Plymouth Barracuda e Chevrolet Camaro. Como nos EUA há mercado para quase tudo quanto é novidade, a Mercury não tardou em apresentar sua opção de luxo ao cavalinho da Ford, o Cougar, lançado no segundo semestre de 1966 e cujas características mais marcantes são os faróis ocultos por coberturas retráteis e o discreto aumento do entre-eixos em relação ao Mustang, com quem comprtilhava a mecânica. Embora não possa ser considerado um fracasso, o Cougar nunca teve o mesmo carisma dos carros-pônei das marcas mais baratas, talvez por uma certa incompatibilidade da proposta original com o perfil dos clientes da Mercury, e - fenômeno interessante - vale hoje menos do que um dos modelos de entrada, quando o usual é que as marcas de maior prestígio sejam as mais procuradas pelos colecionadores. O modelo 1968 da foto esteve no Brazil Classics 2006 e representa o auge do Cougar que, tal como tantos outros ianques, foi grosseiramente descaracterizado na década seguinte até cair no esquecimento e ser, discretamente, aposentado.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

JÁ QUE EU NÃO POSSO TÊ-LO EM MINHA GARAGEM...

... pelo menos na minha estante ele tem lugar de honra. O Mercury 49, um dos grandes desenhos de Detroit no pós-guerra, se tornou um clássico por ter sido dirigido por James Dean em seu filme mais famoso, "Rebel without a cause", e o modelo usado na produção encontra-se preservado em um museu de Nevada. Sempre equipado com um V8 Flathead 256 (ou 4.1 litros), ele representou uma mudança de estratégia do grupo Ford, que passou a apresentá-lo não mais como "um Ford com algo mais", mas sim como "quase um Lincoln". Com seu desenho limpo e frente que lembra a fisionomia de um gângster, o Mercury 1949 se tornou o ícone da marca. A miniatura é da Ertl, série American Muscle, e se encontra fora de catálogo há muitos anos.