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segunda-feira, 29 de novembro de 2021

SERRA DA CANASTRA 2021 - O ENCONTRO DO AUTOMÓVEL COM SUA VOCAÇÃO

Alguém consegue pensar em uma imagem mais emblemática?

Foi por volta de 2015 que eu comecei a me mobilizar para realizar meu sonho de adolescente de ter um Niva. Dos 13 aos 16 anos, era o meu objetivo de vida um dia ter um desses simpáticos jipinhos soviéticos. Naquela idade, a vida passa muito devagar e, aos 44, ao olhar para um período tão curto, é difícil acreditar que 3 anos foram aquela eternidade toda.

O Niva na Canastra: será que o soviético iria dar conta?

Pois foi há exatos 3 anos, em novembro/18, que o sonho se materializou (depois de 3 anos de garimpo!) no Niva Pantanal vermelhinho, tratado a pão-de-ló desde a sua compra. Desde então, já foram diversos encontros, passeios e até participação no Raid Estrada Real de 2019, em Tiradentes. 


Carro antigo e paisagens deslumbrantes: combinação perfeita


Mas ainda faltava algo. Faltava jogá-lo na terra e ver do que ele é capaz. Pesquisa daqui, matuta dali e a oportunidade se materializou na expedição à Serra da Canastra organizada pelo Fora da Estrada BR, exclusiva para Veiculos 4x4.
O percurso alternou estradas de terra em ótimas condições com caminhos que só mesmo um 4x4 poderia vencer

Inscrição feita, pouco mais de 300 km de asfalto percorridos e chega a hora de se integrar aos outros 11 jipes da expedição - 3 Jimny, 3 TR4, 1 Pajero Full, 1 Pathfinder, 1 Compass, 1 Hilux e 1 Troller, todos curiosíssimos com aquela peça de museu que parecia, de longe, o mais frágil da turma. 


Dois momentos do Lada com seus colegas de turma



Pé na estrada, que muitas vezes mais parecia mesmo uma trilha, com subidas e curvas apertadas em um terreno muito acidentado. Paisagens deslumbrantes, cachoeiras maravilhosas, sempre com orientações via rádio no caminho para ligar e desligar o 4x4 da turma, tendo cuidado para não danificar o bloqueio e a reduzida. E, diante da desenvoltura do Niva, a curiosidade sobre a engenharia daquele carrinho aumentou e veio a revelação do que quase ninguém sabia: ele é 4x4 o tempo todo e, graças ao terceiro diferencial, pode ter sua reduzida usada sem restrição alguma, tendo a alavanca de bloqueio do diferencial independente da reduzida! 


Foi justamente nos terrenos mais difíceis...


... que a tração integral - 4x4 o tempo todo - surpreendeu os outros jipeiros!





O povo ficou besta com a desenvoltura do bichinho, andando como um carro de passeio onde os outros pareciam não estar tão a vontade. Sonho realizado, foram 932km de sorrisos com a família no carro, terminando com o mais velho declarando que quer um Niva quando fizer 18! 


Diversão em estado puro

Se a medida do carisma de um carro pode ser feita no desejo de um adolescente, o Niva é imbatível aqui em casa! Se estiver na terra, seu habitat natural, melhor ainda.

A família Niva com a Casca d'Anta ao fundo: passeio inesquecível

segunda-feira, 5 de junho de 2017

II RAID CVA-ESTRADA REAL - A AVENTURA DO SOVIÉTICO EM TIRADENTES


A equipe CCCP poucos minutos antes da largada

Quando ficou definido que o CVA-MG, clube do qual sou sócio-fundador, faria seu quarto rally de automóveis antigos (o II Raid Estrada Real, em Tiradentes, em 27 de maio de 2017), decidi escalar o Lada Laika para a missão. Tendo feito três provas a bordo do MGB, com um desempenho brilhante (dois primeiros e um terceiro lugar), era hora de buscar uma experiência diferente. Por contingências da vida, eu havia vendido o meu carro do dia-a-dia um mês antes da prova e vinha usando o soviético na labuta diária, sempre com um sorrisão no rosto, para espanto dos motoristas de Corollas e Renegades que frequentam as ruas da zona sul de Belo Horizonte. Eu já havia decidido que o carrinho merecia uma restauração (ou melhor dizendo, uma repintura, já que seu interior - de fábrica - era absolutamente perfeito), mas queria curti-lo sem maiores preocupações antes da empreitada que, certamente, tornaria seu uso um pouco mais restrito.
Ao lado dos esportivos europeus, como essa BMW 2002 Ti, o russo parecia em casa
Aprovado no uso diário, por que não inscrevê-lo em uma prova de clássicos? Motor com carburação Weber, tração traseira, direção bem direta, câmbio com pegada esportiva… parecia uma ótima pedida! Como estava tudo em dia com sua mecânica, bastou ir. Eu e o Eduardo, meu navegador, já estávamos bem sintonizados, graças ao sucesso em provas anteriores, e a expectativa por um novo bom resultado era grande. A paramentação foi a caráter, com um relógio Sturmanskie no pulso e a réplica da camisa preta do grande Lev Yashin, com os dizeres CCCP no peito, o que causou alguns olhares um tanto hostis, em tempos de intolerância política. Como não discuto política fora dos fóruns específicos para isso e como a maioria dos amigos que estavam no evento sabe que minhas convicções passam bem longe da intervenção estatal, dei pouca bola para os mal humorados e parti para cumprir as médias.


Na largada, muita expectativa sobre como o Lada se sairia em condições de maior exigência

No início, fomos muito bem, zerando alguns PCs e negociando com tranquilidade as ultrapassagens sobre os caminhões, mas, a partir do segundo terço da prova, entendi na prática a diferença de um verdadeiro esportivo para um carro popular. Os freios do Laika sentiram o esforço de uma direção que visava a precisão nas mudanças de média de velocidade e perderam eficiência por superaquecimento, algo que nunca havia ocorrido nas provas com o MGB. O desempenho em trechos de subida também beliscaram os limites do soviético, que urrava para se manter na média estipulada, mas, ao final da prova, sentimos que estávamos no páreo.

Um lindo registro de um momento da prova. Lugar de carro antigo é na estrada! 

Só que uma punição de 600 pontos, por não ter passado em um posto de controle (na verdade, passamos a cerca de 50  m dele), nos tirou da disputa pelo pódio. Se não fosse esse erro, que nos deixou em 18o lugar entre 54 inscritos, estaríamos brigando pelo segundo ou terceiro lugar, prontos para colocar em evidência, para o universo do carro antigo, um veículo de grande valor - histórico e de engenharia - que ainda não encontrou seu lugar entre os colecionadores brasileiros. Mas, como sempre, valeu a diversão.
Nazdarovia!

terça-feira, 17 de abril de 2012

segunda-feira, 20 de junho de 2011

BLOGANDO E APRENDENDO


A foto acima mostra um Zis 110, veículo de representação na URSS dos anos 40 e 50 - a unidade em questão pertenceu a ninguém menos do que Molotov, o ministro das relações exteriores de Stalin. Conhecido pelo grande público como réplica do Packard 1942, a limousine comunista tem uma genética bem mais complexa: na verdade, trata-se de um projeto cedido pela Buick ao governo soviético em 1936 que, por capricho do "homem de aço", ganhou, artesanalmente, a aparência dos seus queridos Packard em uma fábrica construída só para isso (Zis significa, fábrica nomeada por Stalin, que, depois da morte do ditador, foi rebatizada Zil, nomeada por Likhachev). Quem esclarece a história é o Paulo Levi, do impagável Adverdriving que, junto com Marco Antônio Oliveira e seu post sobre o Emisul, dão uma mostra do alto nível dos temas abordados nos blogs automotivos, que têm, cada vez mais, fugido do lugar-comum. E a gente vai enriquecendo nossa cultura a cada post!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

FOTO EMBLEMÁTICA




Essa foi tirada na noite de ontem, em Moscou. E alguém ainda tem dúvida de que o socialismo já era?

terça-feira, 9 de setembro de 2008

UM OUTRO PONTO DE VISTA

Ocupada em pro-jetar caças MiG, bom-bardeiros Tupolev, transpor-tadores Antonov e foguetes Scud, a elite da engenharia soviética não tinha muito tempo para se ocupar com questões de menor importância estratégica para Moscou, como veículos de uso civil, de modo que, em meados dos anos 60, o governo central achou mais interessante contratar, no exterior, o desenvolvimento de um parque industrial inteiro para repor a sua modesta e já obsoleta frota de carros. O acordo foi fechado com a Fiat italiana - que, na época, tinha interesse em vir para o Brasil, mas acabou priorizando o negócio com a URSS - que ficou incumbida de fornecer o know-how necessário para a produção em escala. O modelo eleito para a estréia foi o Fiat 124 de 1966, um projeto bem-sucedido na Europa, bem de acordo com as tendências de linhas retas e ampla área envidraçada que predominariam nos anos 70 e 80. Chamado de Lada 2105, ele foi lançado por lá naquele mesmo ano, tendo se mostrado um sucesso como produto de massa, inclusive na exportação para a Europa Ocidental, onde ficou conhecido como Riva, e para os nossos vizinhos da América Latina, com o nome Laika. No Brasil, ele chegou em 1990, junto com a transição abrupta do socialismo para a economia de mercado na Rússia, que precisava desesperadamente de divisas em moeda forte e passou a vender os Laikas no mundo inteiro a preços inacreditavelmente baixos. Poucos anos depois, ganharam a fama de terem projeto obsoleto e qualidade ruim, afundando a marca no país. Na verdade, nunca houve nada de errado com o Laika dentro da proposta de veículo de entrada, sendo que ele era até superior a seus concorrentes em alguns aspectos. Comparado à realidade brasileira de Del Rey, Opala e Chevette - houve até espaço para a ressurreição do Fusca em 1993 - o obsoletismo do seu projeto se torna mais retórico do que prático, enquanto sua suposta qualidade inferior era fruto do desinteresse do importador em montar uma estrutura realmente sólida de representação. Assim, após o fogo de palha do lucro fácil para o empreendedor, os proprietários se viram aguardando peças de reposição que nunca chegavam, forçando o aparecimento de gambiarras de toda espécie, feitas por "especialistas" que nunca haviam lidado com a marca. Havia também o problema da ausência de tropicalização do produto, gerando quebras prematuras em peças que não davam problemas em pavimentações melhores - tal fenômeno ocorreu também com outras marcas e foi corrigido pelos seus importadores - e um calor infernal no habitáculo, preparado para enfrentar os 40 graus negativos dos invernos de Moscou e Leningrado. No mais, era gostoso de dirigir (dei umas voltas em um que era do meu tio Pedro nos idos de 1996) e divertido como todo carro de tração traseira; talvez o seu melhor atestado esteja nos clubes espalhados pela Europa - alguém conhece algum clube do Ascona, do Escort ou do Regata por lá? O modelo da foto é do Flávio Gomes, talvez o maior entusiasta da marca no Brasil e que, segundo a agência Tass, pretende honrar as tradições da marca nas competições de rali...