sexta-feira, 4 de maio de 2012

ÁGUAS DE LINDÓIA 2012 - O REVERSO DA KOMBI

E, para fechar os pitacos sobre o Encontro Paulista, este raro Tempo Matador 1950 que, ao lado do Tatraplan, foi o antigo que mais me chamou a atenção no setor de carros à venda de Lindóia. Produzido por uma fábrica especializada em triciclos de carga (semelhantes aos Piaggio italianos), apenas entre 1949 e 1951, com motor e câmbio VW montado na dianteira, tração também dianteira e o tanque de gasolina praticamente dentro da cabine (!), ele foi uma das vítimas da política de Heinz Nordhoff de parar de fornecer o powertrain do Fusca para marcas independentes e teve a fabricação suspensa após cerca de 1300 unidades, sendo conhecidos pouco mais de 10 sobreviventes. Na verdade, a produção  do Matador continuou, a partir de 1952, com um motor refrigerado a água da Austin, mas a aparência passou a ser mais genérica, lembrando um pouco os Barkas da antiga DDR.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

ÁGUAS DE LINDÓIA 2012 - O HALTEROFILISTA DA GM

Para fechar o trio de musculosos - um de cada das Big Three - que brilharam em Lindóia, havia dois candidatos da GM, ambos da Oldsmobile e igualmente impecáveis, um Cutlass e esse magnífico Toronado que, embora não seja exatamente um muscle-car, encanta pelos sete litros de cilindrada e quase 400hp de potência. Fascinante por ter sido o primeiro a conciliar tamanha cavalaria com a tração dianteira, o Toronado representa a era em que a Oldsmobile ainda tinha papel importantíssimo na estratégia da GM como a porta-bandeira da tecnologia do grupo, tradição iniciada pelo Curved Dash 1901, o primeiro automóvel de produção em série da história, e que passou pelo primeiro câmbio "hidramático", em 1938, e pelo motor Rocket ("Roquete", no Brasil), o primeiro V8 de alta compressão do pós-guerra. Bom saber que esses ícones da tecnologia norte-americana rodam por aqui e agradeço ao André Grigorevski por ter cedido a foto. Não sei se o M se lembra, mas, na época da compra do MGB, quase que veio um Toronado no lugar dele...

ÁGUAS DE LINDÓIA 2012 - BELINA 4x4

Proposta interessante, mas com execução problemática e baixa aceitação do mercado, transformaram o crossover da Ford (também chamado de Scala nas versões mais luxuosas) em uma raridade das mais interessantes do final dos anos 80. Essa aí estava impecável, parecendo bem à vontade diante de tanta lama na Praça Adhemar de Barros.

ÁGUAS DE LINDÓIA 2012 - BEST OF SHOW

Faço aqui as minhas homenagens a este belo Graham-Paige Roadster 1928, membro da curta dinastia da prestigiosa marca surgida em 1927 e que não teve representantes no pós-guerra, dando lugar aos Frazers e Kaisers. Segundo consta, esta unidade fazia parte do legendário acervo do Og Pozzoli, que vem sendo, discretamente, desmantelado, para tristeza dos que já puderam ver todos os carros reunidos na Casa Vermelha; levou o troféu de melhor do evento e, em homenagem ao grande Og, ganha aqui o marcador da coleção à qual pertenceu durante tantos anos. A foto, assim como algumas outras desta série, foram retiradas da ótima cobertura do evento feita pelo Guilherme do Antigos VerdeAmarelo, já que a maior parte das minhas fotos se perderam em algum acidente digital.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

ÁGUAS DE LINDÓIA 2012 - O HALTEROFILISTA DA CHRYSLER

A foto acima mostra o Plymouth Road Runner 1970 da coleção do Alexandre Badolato, do Museu do Dodge, que estreou em Lindóia neste ano. Um brutamontes de linhas sóbrias, sem firulas e enfeites desnecessários, o Road Runner foi concebido para ocupar a faixa de mercado logo abaixo do também musculoso GTX, mas acabou se tornando um sucesso tão grande, atribuível ao baixo preço e ao retorno à pureza do conceito muscle-car, que ofuscou o irmão gêmeo, mais caro. O charme extra ficava por conta da buzina, que imitava o inconfundível som do personagem homônimo que sempre levava a melhor sobre o pobre Coyote.

ÁGUAS DE LINDÓIA 2012 - ASTRO DE HOLLYWOOD

Lançado na época de proibição absoluta das importações no Brasil, o DeLorean foi uma lenda para os entusiastas durante muitos anos e era conhecida a presença de apenas uma unidade por essas bandas, raramente vista em público, antes da explosão das importações. Muitos anos se passaram e, no último Encontro Paulista, havia dois DMC-12 na Praça Adhemar de Barros, um deles impecável, em exposição, e o outro no stand de uma importadora. Apesar de estar longe de ser o puro-sangue que suas linhas sugerem, é um ícone inquestionável de toda uma geração e dá gosto saber que já rodam vários por aqui.

ÁGUAS DE LINDÓIA 2012 - REENCONTRO INESPERADO



Uma marca relativamente obscura pela qual eu tenho a maior simpatia é a tcheca Tatra, cujos modelos, segundo as tradições antigomobilistas, teria inspirado o Dr. Porsche na concepção do KdF-Wagen. Polêmicas à parte, lembro bem do meu primeiro contato com um Tatra em Araxá/2004, registrado nessa foto - sem dúvida, foi o carro que mais me chamou a atenção naquele evento e alguns detalhes ficaram registrados de tal maneira que eu tive certeza de que, oito anos depois, se tratava da mesma unidade, devidamente restaurada, esperando um novo dono. Ai, ai...

ÁGUAS DE LINDÓIA 2012 - SINAL DOS TEMPOS

Coisa impensável há cerca de 15 anos seria trocar mensagens e gozações quase diárias com um grupo de pessoas que nunca vimos e, só anos depois, conhecê-las pessoalmente. Coisas de um mundo conectado. Pois, em Lindóia, tive o prazer de conhecer o Romeu Nardini e seu impecável MP Lafer, que agora se juntam ao M no grupo dos amigos virtuais que ganharam rosto. Soube que o Guilherme, o Badolato e o Eric também estiveram por lá, mas não nos esbarramos. Uma pena que eu e o Nardini nos encontramos meio apressadamente e, no dia seguinte, quando planejei voltar ao stand do MP Lafer com mais calma para tomarmos uma cerveja, a chuva não deu trégua...

ÁGUAS DE LINDÓIA 2012 - O HALTEROFILISTA DA FORD


Como dito no post anterior, apesar dos pesares, sempre aparece coisa de primeira em Lindóia, ficando o destaque por conta dos musculosos americanos da virada dos anos 70, que dão o sinal de que as importações andam de vento em popa e servem como um bom freio para a disparada de preços dos carros brasileiros. Selecionei um de cada das Big Three, começando por esse belíssimo Ford Torino, creio que de 1968, perdido entre Corcéis e Fordinhos (pelo menos eram da mesma marca...) e longe dos "primos" Mustang e Maverick. O Torino foi imortalizado, no modelo 1974, pelo filme Starsky & Hutch, mas as versões dos anos 60 são bem mais atraentes, uma regra quase que absoluta para os carros americanos.

ÁGUAS DE LINDÓIA 2012 - CHOVENDO NO MOLHADO



Todo ano é a mesma coisa: falta de estrutura para receber os visitantes, trânsito caótico, hotelaria abaixo da crítica e o gramado da Praça Adhemar de Barros parecendo um brejo depois da chuva, que costuma marcar presença no Encontro Paulista. Mas, o que chamou mesmo a atenção foi a perda de importância do encontro em si, que pareceu apenas um pretexto para o movimentado comércio no entorno, que atraiu muito mais gente do que a exposição. Até aí, tudo bem, nada contra, mas um olhar mais atento pôde perceber um certo descaso da organização para com os colecionadores que se aventuraram a colocar suas relíquias em condições tão adversas para fazer o evento acontecer. Carros amontoados, muitas vezes deslocados em meio a modelos de outras marcas (havia Opalas no meio de VW a ar, Dodges entre Bel Airs, entre outros), alternados com enormes áreas vazias (era triste ver um Datsun 280 solitário no espaço habitualmente ocupado por 15 ou 20 Chevys dos 50's e 60's nos eventos anteriores) apontam que o pessoal vai acabar desanimando. Como já disseram antes, Lindóia está perdendo o charme, ficando, cada vez mais, com cara de feirão, uma pena. Mas em meio a tanta coisa para reclamar, muita coisa boa deu as caras no Encontro Paulista, como esse Talbot Phaeton 1923. A Talbot surgiu na França em 1903 e, ao longo da sua conturbada história, esteve associada a diversas marcas, como Chrysler e Peugeot, tendo experimentado o apogeu nos anos 30, com seus magníficos Streamliners Talbot Lago. O modelo da foto é do período em que a marca francesa esteve associada tanto à britânica Sunbean quanto à também francesa Darracq. Não sei se levou o Best of Show, mas foi o clássico que mais chamou a atenção no evento.