terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

TEIMOSO

Provavel-mente o carro mais depenado já lançado no Brasil, o popular da Willys fazia seus concor-rentes - Fusca Pé-de-Boi, DKW Pracinha e Simca Profissional, todos de 1965 - parecerem veículos de representação, tamanha era a economia dos componentes. Raríssimo hoje em dia, já que era equipado e descaracterizado ainda nas concessionárias, o Teimoso ganhou seu nome por sugestão do publicitário Mauro Salles, que queria homenagear uma façanha de um Gordini da equipe Willys, a de ter teimado em continuar e terminar uma prova de endurance mesmo após ter capotado. A lista da falta de opcionais é longa: sem tampa do porta-luvas, sem lanternas traseiras, sem luzes de direção, sem calotas, sem revestimento no teto e no porta-malas, sem bancos (substituídos por armações metálicas cobertas com curvim vermelho, tipo cadeiras de praia), somente uma demão de tinta com apenas duas opções de cor (marrom e cinza), sem marcador de combustível, sem frisos e cromados, sem retrovisor, sem limpador direito do parabrisa... e, como seus concorrentes, quase sem compradores, já que o consumidor rejeitou um bem de consumo que denotava tamanha pobreza. A foto é do Brazil Classics 2006.

10 comentários:

guilherme gomes disse...

E o teimosinho passando em frente aos Cadillac, devia estar pensando "Ai que vergonha, estou pelado!"

Paulo Maeda™ disse...

hahahah, bem que podia ser vdd o que o Guilherme disse. Eu já li umas reportagens comparando o processo de simplificação dos carros atuais em relação à esta época. Realmente, tiravam tudo e não estavam nem aí com a segurança,não?

tohmé disse...

E eu que perdi um desses em Lindóia, alguns anos trás. Tava barato...

Luís Augusto disse...

Bobeou, Tohmé, esse carro deve ser facílimo de restaurar, já que é só ir tirando tudo (rsrsrsrsrs).

Gustavo disse...

Incrivel, não é? Um pais como o Brasil e os populares nunca fizeram sucesso. O carro é muito aspiracional pode ser barato mas não pode parecer barato.

Felipão disse...

Eu não sabia que o Mauro Salles havia criado esse nome também. E o Luis tem razão... Facílimo de restaurar, já que não vai quase peça nenhuma hahahahahah

Cesar Costa disse...

Só um detalhe: nenhum Gordini tinha tampa de porta-luvas como opcional. Era um acessório de época. Aliás, acho que na época nem existia a palavra "opcional". O primeiro opcional, que me lembre, foi exatamente o freio à disco nos Gordini III, em 1967... Teimoso, Pracinha, Caiçara etc, não fizeram sucesso na época porque eram vistos como "carro de pobre", ou "carro de praça" (taxi). E a diferença de preços para os modelos "normais", nem eram tão grande. Se não me falha a "memória fotogênica" o primeiro exemplar da espécie foi o Fusca Pé-de-Boi (os nomes também não ajudavam em nada, né?).

Luís Augusto disse...

Obrigado pelo correção, César. Na verdade, os primeiros dependados foram o DKW Caiçara e Simca Alvorada, ambos de 1962 e ambos fracassos de vendas como as séries de 65 citadas no post.

Cesar Costa disse...

Ô Luis!Longe de mim ter a pretensão de te "corrigir". Foi só o ponto de vista de quem teve um Gordini III, 1967, na época.
Abraços virtuais!

Luís Augusto disse...

César, esse universo dos carros antigos é tão vasto que a gente dá umas bolas fora mesmo. Não sabia da (falta de) tampa do porta-luvas do Gordini e aprendi com o seu comentário. Sempre que houver algum errinho como esse, ficaria feliz em ver correções de amigos como você.
Grande abraço