sábado, 21 de fevereiro de 2009

ADORÁVEL PICARETA

Na segunda metade dos anos 70, o clima não poderia ser mais desa-nimador para os fabricantes de grandes esportivos. A Porsche dava passos em falso com sua linha refrigerada a água, o Corvette vivia seus piores dias, Ferrari e Lamborghini passaram a ser controladas por grandes grupos, Maserati e De Tomaso estavam a beira da falência e Iso e Jensen haviam fechado as portas junto com vários outros pequenos construtores. O esportivo em alta era a linha Z da Datsun/Nissan, cujo desempenho e carisma eram uma pálida sombra do que foram seus predecessores dos anos 60. Foi com esse pano de fundo que começou a ser planejada a produção de um superesportivo revolucionário, concebido para ocupar a lacuna deixada pelas tradicionais casas européias. A empreitada foi comandada por John Zachary DeLorean, que se destacou à frente da Pontiac ao lançar conceitos de grande apelo nos EUA, como o musculoso GTO e o pônei de luxo Firebird. Ambicioso e capitalizado, graças a um vultuoso investimento do governo norte-irlandês na sua fábrica em Belfast, ele contratou o designer Giorgetto Guigiaro e o construtor Colin Chapman para criar o DMC-12, que seria a resposta à crise do petróleo e à demanda reprimida por um produto de imagem destinado aos jovens abastados dos subúrbios das grandes metrópoles americanas. Detalhes como portas em asa-de-gaivota, carroceria em aço inoxidável e acabamento caprichado impressionavam, mas DeLorean parece ter se esquecido de que um puro-sangue é feito de algo mais do que detalhes excêntricos. O desempenho do V6 2.8 de 145 cv líquidos, desenvolvido numa parceria entre Peugeot, Volvo e Renault, ficava aquém do que suas linhas sugeriam, o que, aliado a falhas injustificáveis no controle de qualidade, afundaram o projeto após pouco mais de 9 mil unidades produzidas em 1981-82. Teria sido apenas mais uma história de investimento mal calculdado, como o Edsel ou o Bricklin, se o esportivo não tivesse ganho as telas de cinema estrelando o clássico Back to the future, que transformou o exótico fracasso em um dos carros mais desejáveis da virada dos anos 80. Há notícia de pelo menos um DMC-12 no Brasil.

5 comentários:

tohmé disse...

Luís, tem uma empresa nos EUA que fazem e refazem TUDO do DMC.

Vi um um vez em Moema, aqui em SP.

Luís Augusto disse...

É isso aí, Tohmé eles estão até fabricando modelos 0Km.
Esse DeLorean de Moema é o do Paulo Loco, dono de uma coleção interessantíssima que inclui até um Super-Vê.

Gustavo disse...

Eu também já vi este carro em algum encontro de antigos. Acho interessante a carroceria parece panela.

Germano disse...

um dos fatores que contribuíram pra encerrar a vida do DMC foi a prisão do De Lorean por envolvimento com tráfico de drogas

PS: dei uma reorganizada nos menus do blog acho que dá pra achar as coisas mais rápido agora...hehehehehe

Luís Augusto disse...

Boa comparação, Gustavo, deve parecer mesmo.
Germano, acho que essas acusações não chegaram a ser provadas.