quinta-feira, 28 de agosto de 2008

BANHO DE LOJA

Poderia um veículo que fracassou na proposta de ser um compacto barato nos EUA nos anos 50, que se valia de mecânica ultrapassa-da e cuja única sofisticação de projeto era a construção em monobloco, se tornar um dos dois clássicos nacionais no fim dos anos 60? O Willys Itamaraty Executivo 1967 responde afirmativamente a tal questão, provando que criatividade e entusiasmo é o que não faltava na primeira década da indústria automobilística brasileira. Sabendo que não tinha em vista um novo projeto para encarar a concorrência do Galaxie 500, o presidente da Willys, Max Pearce, resolveu dar a sua última cartada pela imagem da empresa, com a ordem para a produção de uma das poucas limousines de série do mundo. Equipada com ar-condicionado e mimos para os passageiros do banco traseiro, que variavam conforme as especificações (Standard ou Presidencial), ela mantinha o motor Hurricane de 3.0 litros e 130 hp brutos do Itamaraty, com válvulas de admissão no cabeçote e de escapamento no bloco, originário do Jeep da II Guerra. O modelo da foto, do jornalista Roberto Nasser, é um dos 19 sobreviventes de um total de 27 produzidos e pertenceu ao Ministério de Relações Exteriores, tendo transportado passageiros ilustres como a Rainha Elizabeth II e Indira Gandhi enquanto esteve na ativa. Foi premiado no Brazil Classics 2004.

5 comentários:

Julio Fachin disse...

A carroceria do presidencial é maior? Pelo que me lembro a configuração dos bancos traseiros deste, era no estilo limousine, certo?

Luís Augusto disse...

Não, a carroceria era do mesmo tamanho; para enumerar todas as diferenças entre os modelos eu teria que consultar meus alfarrábios, mas, de cabeça, eu me lembro que a Presidencial vinha com dois assentos individuais traseiros no lugar do banco inteiriço (fora as banquetas para os aspones, que as duas tinham), barbeador elétrico, revestimento mais luxuoso dos assentos e toca-fitas de cartucho. Entretanto, como era uma veículo de produção praticamente artesanal, quase todos saíram com características únicas, de acordo com a encomenda do futuro proprietário.

Chico Rulez! disse...

De quem era essa do Nasser? Aquela que foi do Hugo Picchioni eu sei que era da Bahia, foi a do ACM.

Luís Augusto disse...

Essa ele comprou diretamente em um leilão do Ministério das Relações Exteriores, que considerou que o clássico estava "entulhando" o seu estacionamento. Não faz muito tempo, acho que foi em 2001. Sei de uma em BH, obviamente no acervo do Veteran, junto com uma coleção de SL...

Fernando Barenco disse...

Apenas a título ilustração para este ótimo post, o Portal Maxicar publicou a saga do Executivo, escrita por José Antonio Penteado Vignoli. Confiram em http://www.maxicar.com.br/old/reporter/itamaraty.asp