quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

EUROPA X AMÉRICA - ROUND X

Depois do já distante round VI, mais um embate cul-tural entre as escolas do Velho Continente e do Novo Mundo se dá abaixo da linha do Equador; excetuando-se o exclusivíssimo Willys Itamaraty Executivo, os dois únicos autênticos modelos "de prestígio" produzidos no Brasil foram o Ford Landau e o Alfa Romeo 2300 TI, que viviam o seu ocaso no início dos anos 80 e só se mantinham no mercado por absoluta falta de opção de veículos de representação em um mercado que vivia um dos piores momentos de sua história. Derivados de projetos de meados dos anos 60, eles não nasceram para a categoria superluxo, mas sobreviveram nesse nicho até 1983 (Landau) e 1986 (Alfa) por causa da imagem que agregavam à Ford e à Fiat, já que a produção muito limitada não viabilizava a economia de escala, mesmo com o preço exorbitante em relação ao que ofereciam - eles chegaram a custar mais de 50% mais caro do que um Opala Diplomata, por exemplo. O choque cultural é visto aqui em todos os aspectos, desde o estilo até a concepção mecânica e comportamento dinâmico, com o melhor desempenho geral do quatro ci-lindros com duplo co-mando de válvulas, 5 marchas e 149 cv líquidos do italiano, cujo painel de instru-mentos é um dos mais bonitos e completos já feitos aqui, perdendo em conforto para o grandalhão da Ford com seu V8 302 (5.0 litros) de 199 cv brutos que precisava apenas de três marchas (na coluna de direção) para se movimentar com desenvoltura e oferecia extrema maciez e um dos níveis de ruídos mais baixos do mundo para seus ocupantes. Até a razão do prestígio de cada um era diferente: enquanto os predicados do Landau estavam no tamanho e na ostentação, o Alfa era um sedã de grife - o único já produzido no Brasil, excetuando-se os Mercedes feitos em Juiz de Fora para exportação. Feitas as apresentações, meu voto vai para o Landau porque ele soube envelhecer com mais elegância do que o rival, no qual os apliques em plástico não caíram muito bem, e saiu de cena quando ainda estava por cima, tendo sido venerado ainda por muito tempo pelos seus proprietários. Para os amantes da Alfa Romeo, fica a idéia de que, se fosse um embate entre modelos dos anos 70, a história poderia ter sido diferente. Europa 5 x 5 América.

11 comentários:

Chico Rulez! disse...

Eu iria de Alfa. O Landau é uma banheira pouco civilizada (apesar de ser silencioso, luxuoso, confortável, etc.) e pouco prática. Vai fazer baliza num desses... Eu ainda vou comprar o Alfa 79 verde musgo que o Dr. Navantino tem até hoje e que era o carro que ele usava pra vir aqui em casa quando eu ficava doente.

Felipão disse...

Eu vou de Alfa também, acompanhando o Chico...

Aliás, dificilmente se encontra um inteiro andando por aí...

Já vi até transformação em Pick-up...

Luís Augusto disse...

Considero os Alfas até 1982 muito mais bonitos do que os posteriores, como esse da foto, mas a idéia era mostrar as últimas versões de cada um e, sendo assim, mantenho meu voto.
Agora, dirigir um Landau é uma experiência quase surreal para que gosta de carro antigo (e olha que eu já dirigi muitos), muito mais divertida do que o seu tamanhão pode fazer supor.

Germano disse...

Alfa Romeo forever!!!!!!!

Germano disse...

Ah...o motor do carro era "espionado" do BMW 1500, e era de linha do Moskvitch 412

Mauricio Morais disse...

Parece brincadeira, mas nunca andei de Alfa Romeo 2.300, TI, ou qualquer modelo...Sou alfista por conviccção, mas penso que no quesito, luxo, conforto, etc, o Landau é imbatível, melhor até que os Dart da vida.

Julio Fachin disse...

Alfa... óbvio!

Gustavo disse...

Os dois são tão diferentes que acho injusta a comparação. Tive os dois na familia e os conheço bem.
Mas como tenho que votar vou de Alfa, me lembrando da 2300B que não tinha cromados e era bem o "Cuore".

Luís Augusto disse...

Que coisa estranha esse round! O alfista assumido votou no Landau.
O que gosta dos V8 americanos votou no Alfa.
E o Landau, que costuma alcançar cotações mais elevadas que o Alfa no mercado de antigos tomou uma surra do italiano.

Gustavo, a idéia é justamente expor o choque entre as escolas americana e européia. Comparações entre modelos semelhantes tipo Mercedes X BMW ou Dart X Maverick envolveriam muito mais sutilezas e exigiriam maior tempo de experiência ao volante desse carros. Além disso, a graça dessa seção está justamente na polêmica, certo?

Mauricio Morais disse...

A justificativa para meu voto é simples. Por mais que a Alfa Romeo quisesse vender a imagem de carro top de luxo, esse modelo não se enquadra nessa categoria, em minha modesta opinião.
Vejo o esse modelo Alfa como um ESPORTIVO de luxo, para os padrões brasileiros.
Para mim, o concorrente natural ao Landau seria o Dodge Dart, ainda para os padrões brasileiros.

A verdade é que as matrizes americanas e européias sempre viram nosso mercado como ele realmente é: um mercado de 3º mundo! E desovavam aqui aquilo que já não era novidade para um mercado mais sofisticado. Esse era o cenário antes da concepção do carro mundial, da globalização, etc, etc.

Luís Augusto disse...

Desculpe, Maurício, mas nem sempre foi assim. No fim dos anos 60 e início do 70, os carros brasileiros eram absolutamente sintonizados com o que havia lá fora; ficando nos exemplos que você deu, o Galaxie lançado aqui em 67 era o ful-size americano de 66; o Dart brasileiro de 69 era o compacto americano de 67 (não são, portanto, concorrentes). Chegamos a ter o Passat e o Chevette lançados quase simultaneamente aqui e na Alemanha. A coisa desandou de 75 em diante por causa da instabilidade econômica mundial que foi mal administrada pelo governo militar.