terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O ANTI-FERRARI

O sucesso da linha 350/400 GT levou Ferruccio Lamborghini a alçar vôos ainda mais altos e dar a ordem para que seus projetistas criassem o melhor esportivo do seu tempo, para irritação de Enzo Ferrari, que vinha vendo sua marca perder terreno para a Ford, nas pistas, e para o "insolente fabricante de tratores", nas ruas. Usando o mesmo V12 básico do 400 GT, mas em posição central-traseira, o Miura, lançado em 1966, surpreendeu o mundo pela beleza e pela ousadia de suas linhas, tendo sido o primeiro supercarro desenvovido fora das pistas a usar essa posição de motor - seu precedente era o Ford GT40. Embora tenha feito escola em termos de estilo e concepção, a insistência de Lamborghini em se manter longe das competições fez com que a marca do touro perdesse a oportunidade de se igualar em carisma ao Cavallino Rampante de Maranello que, com o tempo, recuperou a primazia entre os esportivos até a F-40 pulverizar qualquer resto de discussão que pudesse existir entre os entusiastas. Para os brasileiros, o Miura ainda traz a curiosidade de ter servido de inspiração para os primeiros Pumas com motor VW, como pode ser visto no desenho das portas e dos pára-lamas traseiros do modelo 1968 flagrado pelo Júlio Fachin no Brazil Classics 2004.

8 comentários:

Julio Fachin disse...

Para mim a Lamborghini mais clássica e mais bela de todos os tempos! Praticamente um "tapa na cara" de Enzo Ferrari. Em comparação ao Ford GT-40, o Miura possui motor central traseiro na posição transversal, ao passo que o do Ford fica posicionado de forma longitudinal, se não me falha a memória. Me lembro de ouvir os urros do motor deste exemplar branco enquanto seu dono o aquecia para a cerimônia de premiação do Brazil Classics em Araxá. Pura música.
Na minha opinião o esportivo mais bonito e interessante que existe hoje no Brasil.

Germano disse...

belo carro

Felipão disse...

Eu concordo com o Julio...

Talvez o maior modelo da Lamborghini...

Muito bom, realmente, para o fabricante de tratores, que dizia que Ferrari era uma porcaria e até ele fazia melhor...

Luís Augusto disse...

Senhores, essa é a única Miura que já vi aparecer em encontros. Tenho notícias de apenas mais uma no Brasil, ainda em restauração. Júlio, foi ela que precedeu o seu Fusca 50 na premiação de 2004, certo? Lembro de vc comentando ter ficado atrás dela ouvindo o dono esquentar o motor.

Julio Fachin disse...

Correto Luis, ela entrou antes do Fusca em Araxá. O baralho do motor é simplesmente fantástico! Me lembro dela com o capô aberto e aquele monte de Webers (4 triplas!!!) sendo acionadas juntas.
Não tenho notícia de outra no Brasil, mas como os colecionadores de SP e MG têm trazido carros interessantíssimos, não duvido nada se houver outro Miura por aqui...

Mauricio Morais disse...

Amigos concordo com quase tudo que disseram sobre esse carro, que é realmente um marco, uma beleza, etc e tal, mas não nos esqueçamos do Countach, esse sim, um carro que quebrou paradigmas no mundo dos super carros. É relevante lembrar também que quem concebeu o design da carroceria foi a casa Bertone, pelas penas do designer Marcelo Gandini, o único.

Luís Augusto disse...

Maurício, o design do Miura também é do Giandini, não? Gosto muito do Countach, mas acho um pouco "over", assim como a maioria dos ícones dos anos 70.

Mauricio Morais disse...

Luís o design é do Gandini e a parte mecãnica e chassis era o bra do Gianpaolo Dallara, Bob Wallace e Paolo Stanzani. Todos nomes de peso na história do automobilismo mundial. O carro era bem nascido mesmo!
Sobre o Countach concordo com você quando falamos dos últimos modelos, cheios de apêncices, que eram tentativas de "atualizar" um desenho clássico, mas as primeiras versões eram bem limpas.