Jóias raras
Há 3 minutos
Uma volta nos automóveis antigos e clássicos que marcaram época


Elas ficaram famosas no Lamborghini Miura e foram reeditadas no Lancia Stratos e no DeLorean para suavizar o desenho da traseira, já que seus habitáculos terminavam abruptamente em um vidrinho vertical, atrás do qual ficava o motorzão (o superlativo só é aplicável ao Lambo...). Mas, embora originais, não parecem fazer muito sentido neste Mustang Mach 1 1970, não é verdade? A foto é do Brazil Classics 2006.
Diz a tradição que, quando se quer testar realmente a habilidade de alguém na cozinha, pede-se para fazer o arroz-com-feijão. Na literatura automotiva não é muito diferente, pois é muito mais fácil escrever algo interessante sobre o raro ou o inusitado do que sobre um tema notório, já revisto e discutido à exaustão, como Fusca, Mustang ou Ferrari. Todo esse preâmbulo serve para justificar a minha decepção ao ler o Almanaque do Fusca (Fábio Katakoa e Portuga Tavares, Ediouro, 2006), do qual cheguei a ganhar quatro exemplares na época do seu lançamento. Embora seja razoavelmente correto no clichê das informações básicas sobre a trajetória do Fusca, seus textos são desconexos e pouco inspirados, dando a clara impressão de compilação de dados, e a má qualidade gráfica prejudica a parte ilustrada do livro, que também não traz grandes novidades além de fotos de divulgação da época. Enfim, uma obra que acrescenta pouco a quem já gosta do tema há algum tempo e só vale mesmo como presente de última hora ou para iniciar seu filho pequeno no mundo do carro antigo. No Submarino, por R$ 31,90.
De todos os automóveis já produzidos no mundo, provavelmente o único que merece o título de "incomparável" seja a Bugatti Tipo 41 Royale. Superlativa em tudo, a começar pelo motor de oito cilindros em linha e 12.7 litros (!) com 300 hp brutos, passando pelos mais de 6m de comprimento com 2m entre o radiador e o parabrisa (o maior automóvel de passeio já construído, excetuando-se as limousines) e pelas rodas aro 24 pol. com os discos centrais em prata genuína, ela é vista como a expressão máxima da cultura automotiva, uma escultura mecânica com status - e preço - de obra de arte de primeira grandeza. Apenas seis exemplares foram construídos porque Ettore Bugatti calculou mal o gosto dos reis e imperadores da época e vendeu apenas três exemplares, nenhum deles para a alta nobreza. Sempre que uma Royale é posta à venda atualmente, há um verdadeiro alvoroço nas altas rodas que amam o luxo e as belas artes, sendo que a unidade mais valiosa e admirada é o Coupé Napoleon 1929 da foto acima, que se encontra no museu dedicado à marca em Mulhouse e traz características marcantes de todas as Bugatti, como grade em forma de ferradura e eixo dianteiro à frente do radiador. Como absolutamente tudo já foi escrito sobre esses fabulosos veículos, cabe ao Antigomóveis apenas esta pequena homenagem ao passo mais ousado da história da engenharia automotiva. 


