segunda-feira, 28 de setembro de 2009

AO VOLANTE - VIII: KOMBI 1974

Ao contrário do Fusca, que nasceu como instrumento político do regime nazista, a Kombi (abreviatura de Kombinationfahrzeug, ou veículo combinado) surgiu no pós-guerra, quando a prioridade na Europa em reconstrução eram veículos de trabalho ou de uso misto. Entretanto, tal como o Sedan que lhe deu origem, seu nascimento também teve lances curiosos, podendo ser creditado ao negociante que intermediou as primeiras exportações oficiais da Volkswagen, o holandês Ben Pon. Diz a história que, durante uma visita ao complexo de Wolfsburg, Pon teria se entusiasmado com um veículo de carga, tipo plataforma, de uso interno da fábrica, que usava chassis e mecânica do Fusca, e convenceu a diretoria da VW, ainda sob comando do Major inglês Ivan Hirst, do enorme potencial desse tipo de carro no crescente mercado alemão. Foi um grande sucesso, tendo a pouca potência e a dificuldade de acesso pela traseira sido amplamente compensadas pela robustez do projeto e pelas portas laterais, que faziam da van um verdadeiro salão sobre rodas medindo apenas 16 cm a mais do que o Fusca. O chassi era monobloco. Lançada em 1949, ela chegou a Brasil já no ano seguinte e teve a produção nacionalizada em 1957. Como na Alemanha do pós-guerra, o Brasil tinha enorme carência de veículos utilitários e o sucesso da Kombi por aqui não se fez esperar, tanto que, além das versões de passageiros (Standard e Luxo), furgão e pick-up, houve também o modelo com seis portas independentes, exclusividade nacional. Durante sua trajetória, foram poucas as evoluções, como a frente remodelada em 1976, o modelo a Diesel de 1981, um teto mais alto e a abolição da parede que separava o banco dianteiro do resto da cabine em 1997, injeção eletrônica em 1998 e o motor refrigerado a água em 2006. Uma lenda que cerca a Kombi nacional é a de que, quando Herbert Demel assumiu a missão de modernizar a VWB em 1998, uma de suas primeiras decisões teria sido tirá-la de linha, mas que o executivo alemão teria desistido da idéia após ter sido levado ao Ceasa de São Paulo...
O modelo da avaliação de hoje é um Standard 1974 da coleção do Emerson Montalvão, que conta com apenas 100 mil km rodados e traz o raro diferencial autoblocante opcional (reparem nos pneus de uso misto na traseira). Perfeitamente conservada, inclusive com pintura de fábrica, ela pertenceu ao seu primeiro dono até o ano passado, um engenheiro francês que a tranformou em motor-home e a usava para conhecer o litoral brasileiro. Fogão, pia com bomba d'água, geladeira, cama de casal e uma infinidade de armários e gavetas atestam a versatilidade do projeto da Kombi, que manteve a aparência externa inalterada nesta unidade. Ao volante, a sensação de estranheza dos primeiros metros ao comando do utilitário é logo substituída por pura diversão para quem sabe respeitar os limites dessa velha senhora que, mesmo com motor 1500, demora bastante a embalar e pede trabalho do câmbio nas subidas; seu molejo não tem paralelo nos veículos de passeio, já que o motorista vai sentado sobre o eixo dianteiro. No modelo em questão, dado o estado ímpar de conservação, a sensação é mesmo a de ter voltado no tempo, à época em que o domínio da VW no mercado brasileiro parecia que não iria acabar nunca, e nota-se a razão de tamanha preferência do consumidor: as portas se fecham com perfeição, o isolamento acústico é excelente (apesar do motor a ar ser naturalmente mais barulhento), não há ruídos na suspensão e o funcionamento do motor é redondo, além do excelente sistema de ventilação natural instalado no teto. Como eram veículos de trabalho, as Kombis costumavam ser usadas até a última gota e modelos mais antigos se tornaram bastante raros, principalmente nesse estado de conservação, passando a ser cobiçados inclusive por colecionadores estrangeiros. Felizmente, essa aí não deve sair de BH tão cedo...

11 comentários:

Guilherme da Costa Gomes disse...

Nunca dirigi uma Kombi, tenho vontade. A Kombi mercadologicamente falando ainda apresenta um enorme custo/benefício frente aos seus concorrentes e acho que não sairá de linha tão cedo...
Essa da foto está uma tetéia!

Luís Augusto disse...

Tem razão, Guilherme; quanto ao carro das fotos, é um dos antigos mais originais que já dirigi.

Anônimo disse...

Boa para vender caldo-de-cana.

Carros Antigos disse...

Luís, acho que é o primeiro post seu que leio com mais de uma foto. Não é obrigatório, mas fica mais... bonito e instrutivo! Repita a idéia, adorei.
Eu tenho muito carinho pela Kombi. Dirigi uma com 13 anos, em plena campanha política no interior do Rio, carregando eleitores para a urna, veja só que tempos eram esses. Quer saber? Adorei, tenho vontade de pilotar uma de novo até hoje.
Fora isso, vi umas 3 se incendiarem na serra de Friburgo, a última há pouco tempo e nem era tão mal conservada assim. Ossos do ofício, foram sacrificadas em prol da sua versatilidade, qualidade e resistência, que ecnonomizou tostões que sairam mais caro do que o esperado.

Luís Augusto disse...

Obrigado, Nik, a idéia da sessão "Ao volante" é mesmo a de uma matéria mais completa, inclusive com mais fotos, só que a falta de tempo me tem deixado meio em falta com ela...

Gustavo disse...

Adoro a Kombi. Dirigi muito uma Kombi que meu pai tinha no escritório que era sistematicamente roubada nos fins de semana para um passeio. Ela se chamava Lurdes, Lurdes Kombi.

Felipão disse...

Dirigir Kombi é sempre muito divertido... aliás, muito legal a avaliação...

Arthur Jacon disse...

Coisa mais linda. Meu teve algumas. Tive o privilégio de diriji-las. É realmente divertidíssimo.

Arthur Jacon disse...

Eu quis dizer: meu pai teve algumas.

Emerson Montalvão disse...

Luís, acabei de chegar de viagem e ao visitar seu blog me deparo com essa bela surpresa! Valeu!

Anônimo disse...

Olha eu tenho 25 anos de idade tenho uma kombi 1974 com motor 1500coloquei um insofilme bem escuro néla, um som muito bom e não troco éla por carro nenhum ,éla não pode ter conforto igual a um carro novo mais é muito gostosa de viagar,todo o final de semana eu e minha mulher chegamos a andar na faixa entre 180 a 240 klm de viagem com minha kombi olha as veze eu fico emocionado de ver o que ésta kombi fas,assim que eu puder vou por umas fotos déla aqui Valeu!!