quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

AS FAMOSAS "CONDIÇÕES BRASILEIRAS"...


Na época da implantação da nossa indústria automobilística, com notável exceção da linha Volkswagen, algumas características marcavam os modelos de passeio pioneiros por aqui: ou foram rejeitados em seus mercados de origem (caso do FNM JK e do Aero-Willys) ou eram veículos em fim de carreira de fabricantes em dificuldades financeiras (como os Simca e DKW). Sentindo que os modelos de sua marca estavam no fim das suas possibilidades de desenvolvimento e sem um modelo de maior penetração no entry-level, o presidente da Willys, Max Pearce, negociou um acordo de cooperação com a Renault francesa, graças ao qual o motorista brasileiro comum pôde ter acesso aos modernos Dauphine (1959-66) e Gordini (1962-68). Com conceitos de engenharia bem mais atualizados do que os da concorrência, como carroceria monobloco, quatro portas e motor de quatro tempos com refrigeração líquida, ele poderia ter sido um sucesso bem maior frente ao obsoletismo dos seus contemporâneos se não fossem as "caractetísticas especiais" do piso brasileiro que maltratariam e maculariam indelevelmente a fama da delicada suspensão Aerostable; também o clima mais quente, que fazia com que o pequeno radiador muitas vezes fosse insuficiente para o Ventoux de 0.845 litro, contribuiu para a fama de fragilidade dos pequenos Willys, que pagaram caro pelo pioneirismo e provavelmente inspiraram os engenheiros a criarem o termo tropicalização, tão usado até hoje e muito bem aplicado no sucessor brasileiro do Gordini, o Corcel. Relativamente raro em encontros de antigos por aí, o da foto acima foi flagrado em Lindóia/07 na companhia de outro dois; trata-se de um Gordini III de 1967, que já trazia a suspensão traseira - o ponto mais crítico do carro - bastante melhorada desde o Gordini II e freios a disco opcionais, uma raridade na época.

27 comentários:

Helio Herbert disse...

Hoje o Gordini é um veículo muito difícil de se encontrar,a maioria foi para o desmanche literalmente,restam poucos exemplares em bom estado de conservação.Um outro fato que chama atenção além dos citados era seu apelido nada comum...Leite Glória,"desmancha sem bater".Tenho uma lata desse famoso leite guardada em algum lugar do passado.
Uma dica interessante é dar uma olhada no Blog:www.cestasdenatalamaral.blogspot.com/ lá tem uma postagem sobre os Gordinis que eram sorteados aos clientes.

Felipão disse...

O meu pai sempre se refere ao carro do mesmo modo que o Hélio. Incrível como podemos encontrar carros que foram fabricados no mesmo período rodando por aí, enquanto que o Gordini é peça rara...

Edward disse...

E mesmo muito raro o Gordini , vejo alguns exemplares apenas em exposições.

F250GTO disse...

Na verdade o apelido Leite Gloria foi dado ao Dauphine e não ao Gordini, que acabou herdando o apelido, depois que o primeiro deixou de ser fabricado.
Na verdade tanto um quanto o outro tinham a suspensão dianteira um tanto "delicada" para as nossas ruas/estradas.
Romeu

roberto zullino disse...

Tive um 1093 zero km, uma merda, andava bem, mas nos primeiros seis meses se foram a caixa de satélites, anéis quebrados e suspensão dianteira arriada, tudo trocado na garantia, diga-se, o que não adiantava nada, pois iriam quebrar depois da mesma forma. Vendi a bosta na primeira oportunidade. Se virem alguns desses restaurados pegando fogo considerem-me o primeiro suspeito, hahahahahahaah. Terei prazer em responder o inquérito e depois o julgamento e tenho certeza da absolvição.
Os quatre chevaux, os conhecidos rabo quente, eram carros mais honestos, se é que se pode dizer isso de carro francês.

Luís Augusto disse...

Um 1093? Coisa de conhecedor...
Discordo de vc, deveria ter guardado o carrinho, deve ser divertidíssimo nas ótimas pavimentações das estradas de SP.

roberto zullino disse...

Guardar como? A merda se desfazia. Leite Glória, dissolve sem bater.
As duas únicas coisas dignas que o carro tinha eram o Contagiros na esquerda do painel e acionado por um cabo, uma coisa linda de se ver. Ele dava saltos iguaizinhos aqueles que aparecem no Grand Prix e o volante de madeira muito bem feito. O resto era merda pura.

Luís Augusto disse...

Boas lembranças... contagiros Jaeger, volante de madeira, escapamento aberto. pneus Cinturato. Acho o 1093 um dos carros mais injustiçados dos pioneiros brasileiros, deveriam falar mais dele.

http://antigomoveis.blogspot.com/2008/09/s-para-conhecedores.html

O seu era vinho ou dourado?

roberto zullino disse...

Dourado, mas nunca gostei da cor, achava cafona.

Guilherme da Costa Gomes disse...

Os Dauphine e Gordini são super charmosos e simpáticos!
O pecado do 1093 é de não ter esportividade por fora, apesar do motor do Interlagos.

M disse...

Vinho nunca existiu !
Dourado OU vermelho !

Ôôô, Guilherme,
Nem por fora e nem por dentro !
A única diferença no motor era o carburador de corpo duplo !
Muito pouco para ganhar status de "esportivo" ! Né não ?

Pelo menos os primeiros Interlagos (1962) usavam o motor 1.000 c.c.

Luís Augusto disse...

M, digamos que era um vinho meio ralo!

M disse...

VC tá parecendo o Zullino...
Não chute !
Vermelho, e bem vivo !

Luís Augusto disse...

Né não, sabichão!
Olha aqui:
http://antigomoveis.blogspot.com/2008/09/s-para-conhecedores.html
Vermelho pra mim é o Rosso Corsa!

M disse...

Acho que importante esclarecer: muita gente acha que 1093 era devido a cilindrada do motor !
Grande engano !
O motor do 1093 era o mesmo 850 c.c. fo Gordini, só que com um carburador de corpo duplo.
Acima disse que os Interlagos 1962 usavam o motor 1.000 c.c., mas eram só as berlinetas ! Os coupes e os conversíveis também usavam o motor 850 c.c.
A berlineta com motor 1.000 c.c. era, na época, o carro mais rápido fabricado no braZil.

M disse...

vc é daltônico !
isto é verde !
hahahahahhhh...

chame como quiser, mas de vinho o VERMELHO do 1093 não tinha nem o cheiro !

Luís Augusto disse...

Pra mim é vinho!
E uma das características mais identificáveis do 1093 eram as rodas monocromáticas e a suspensão traseira levemente rebaixada.
Acho que eles merecem mais valor, sim, porque tinham refinamentos técnicos interessantes sem recorrer a um motor maior, algo que só seria repetido em outro "esquecido", o Oggi CSS.

M disse...

VC está delirando !
Aquilo é um Gordini !
Roda monocromática ??? E com calotas de Dauphine ??? Cheirou cola...
Os 1093 DOURADOS ou VERMELHOS vinham com as calotas do Interlagos.

Luís Augusto disse...

Pode ser que ele esteja com ítens errados, mas tem o contagiros Jaeger!

roberto zullino disse...

O M tem razão, ou eram dourados ou vermelho vibrante. A maioria era dourado.

Luís Augusto disse...

Ok, me dou por vencido. Sobre o 1093 que citei, já o vi em outros eventos com as rodas corretas, com janelas de ventilação, e calotas do Interlagos.

roberto zullino disse...

O 1093 que você deve ter visto deve ser um simples Gordini Bordeaux com as coisas do 1093 ou pertence a um dono daltônico que errou na pintura. Eram vermelhos bem vibrantes, nada parecido com vinho.

A melhor cor para esses carros sempre foi Cinza Incêndio, taca fogo que fica legal.

Nelson disse...

Caros Amigos
Ja faz tempo ,que eu nao vejo um numero tao grande de besteiras ,escritas em uns comentarios. Em todos estes Bolgs que falam sobre carros antigos, as pessoas deveriam dar uma olhada, em revistas antigas para nao ficarem falando BESTEIRA.
Eu tive Gordini, Dauphine , 1093 e Interlagos, corri com Gordini e Interlagos e nao creio que metade, das pessoas que falaram as besteiras acima, tenha entrado nestes carros em sua vida.
Em uma epoca que todos os carros tinham a suspenção em buchas de broze ou de ferro a Renault lançou as buchas de BORRACHAS, estas buchas que hoje tem nos seus carros de uso, so que na epoca tinham a mania de lavar os carros nos postos e darem um jato de OLEO QUEIMADO na parte de baixo do carro , para ficar tudo pretinho ,isto amolecias as borrachas. Estas borrachas eram naturais e nao sinteticas como a maioria de hoje.
Sobre o caso do aquecimente e so dar uma olhada no manual do carro , este motor foi preparado por Amadeu Gordini e tinha a taxa de 8.5 e os Fuscas com a maioria dos carros da epoca usava a taxa 6 a 7.5 , assim quando o motor era aberto , ia para retifica e logo davam um passe no cabeçote, assim a taxa aumentava mais, ja peguei cabeçote na minha oficina com 11 de taxa , sem falar na nossa gasolina que era otima na epoca, toda corrida tinhamos que ir ao aeroclub comprar gasolina de avião, a verde.
Sobre o Leite Gloria , foi o pessoas que andava de FUSCA, pois nos passavamos de passagem com um motorzinho de 850 cc e eles andavam com 1200 cc e ate Okasa e ficavam para traz, foi necessario fazer um 1500 cc para poder passar os Renault 904cc.
Sobre os 1093: para quem não sabe, so foram feitos em duas cores Dourado e Vermelho, Modificações:
pistao cabeçudo, Valvulas com haste mais grossas, molas duplas no cabeçote, comando especias, coletor de admissao e descarga dimencionados, carburador Solex duplo 32 PAIA, motor girando ate 5600 dentro da faixa amarela e finalmente quarta marcha curta, sendo equipado com contagiro e painel ate 180 Kls.
E um carro que 1956 , ja tinha freio a disco HIDROKID na 4 RODAS , o DAUPHINE 1063 e este motor esquipou varios carros na Europa.
Vamos parar de falar besteira e dar uma pesquisada.
Abraços
Nelson Cintra

roberto zullino disse...

Olha aqui Nelson, aqui ninguém está falando besteira, está falando o que viu e viveu.

Não adjetive as opiniões e nem os outros para não ser adjetivado.

Se você teve experiências boas melhor, até acredito, mas não queira desfazer das experiências dos outros.

Tudo que você falou sobre o 1093 eu vi da pior forma, aberto com menos de 10 mil km e na autorizada. Um dia era a junta do cabeçote, outro dia eram os anéis. O projeto poderia até ser bom, mas a execução era lamentável.

Ainda bem que sobraram um monte de Gordinis para provar as histórias.

O meu 1093 deve ter sido feito num dia que o Curríntia perdeu.

Vou procurar outro para testar, o duro vai ser achar, a maioria se dissolveu.

O carro era o maior estelionato de corridas que já existiu, a do Record foi de cabo de esquadra como diria meu avô.

Luís Augusto disse...

Nelson, agradeço a participação e por enriquecer o blog com suas vivências. Entretanto, creio que não é preciso tanta agressividade para expressar suas opiniões. Taxar de BESTEIRA (assim mesmo, em maiúsculas, como se estivesse gritando) e invalidar a opinião de quem torna vivo este espaço é um mero exercício de arrogância. Se aqui só estivesse escrito besteira, provavelmente este blog não teria uma fração da audiência que tem. Erros acontecem (principalmente da minha parte, devo admitir) e o forum de discussão é para todos lapidarmos nossa cultura sobre o tema. Você está convidado a continuar participando dele.
Abraços,
Luís

Nelson disse...

OK Luiz
Ate
Nelson

Oswaldo Porto disse...

Hoje os projetos de automóveis estão com maior acertividade que a anos atrás em função de diversos fatores, com ferramentas de desenho/projeto, tecnología de materiais, recursos de fabricação como CNC, etc.. e menos assim ainda temos alguns problemas. Quando garoto minha família morava em São Carlos e meu pai tinha um Dauphine. Eu era muito pequeno mas lembro que viajavamos muito para a casa na Praia Grande e também para Lins, onde meus avós moravam. Eram viagens longas. Não me lembro de ter ficado com o carro quebrado na estrada uma única vez se quer. Posso dizer que minha experiência com este carro foi boa. Resalto que meu pai era um bom motorista e fazia as manutenções do carro corretamente. Até hoje acho este carro simpático. Realmente é difícil ver algum nas ruas de São Paulo, onde moro atualmente.