terça-feira, 24 de maio de 2011

QUANDO EM ROMA, FAÇA COMO OS ROMANOS

Nos últimos cinco ou seis anos, tive a oportunidade de viajar muito. Graças às facilidades de crédito, a classe média tem hoje a possibilidade de conhecer lugares diferentes, pessoas diferentes, comida, bebida e hábitos diferentes e, apesar da globalização, carros diferentes! E, mais até do que ir a um museu de automóveis (que, indiscutivelmente, tem seu valor), curtir os carros comuns que estão na rua e, eventualmente, usufruir deles, seja como motorista ou passageiro, é um prato cheio para quem é mergulhado na cultura automotiva. Já falei aqui dos taxis Peugeot 504 e Ford Crown Victoria, do Lincoln Town Car de NY e da BMW de Munique. A última experiência ocorreu em janeiro desse ano a bordo do bichão aí em cima, alugado por 10 dias em Orlando por pouco mais do que se paga por um Palio com ar-condicionado por um fim de semana aqui na terrinha. Para os americanos, um carro comum, típico full-size com um design mais arrojado do que a média (ainda mais impressionante ao vivo do que nas fotos) dotado de um bom V6 capaz de empurrá-lo com desenvoltura - esse da foto, modelo SXT 2009 canadense, ainda não tinha o novo V6 Pentastar de 292 hp, mas sim o V6 3.5 de 250 cv - e tração traseira. Como se trata de uma das versões de entrada do Dodge Charger, o acabamento não tem nada de extraordinário, embora ainda parecesse 0km com cerca de dois anos de uso. O painel dispensa computador de bordo, GPS integrado e outras firulas, mas tem um desenho de apelo esportivo, com velocímetro e conta-giros de ótima leitura; o sistema de som é surpreendente para um carro sem maiores pretensões. A posição de dirigir é interessantíssima, como no novo Challenger; mesmo nas modorrentas retas da Highways da Flórida às 80 mph permitidas, não cansa o motorista, que pode contemplar o enorme capô que tem sob seu comando; câmbio automático é de rigueur, sem opção de trocas manuais. Impossível não abrir um sorrisão a cada manhã, quando o via esperando por mim no estacionamento do hotel. Tudo isso oferecido para venda por US$ 25 mil - que tal comparar com um Siena 1.0 pelado com frente antiga por 25 mil dinheiros brasileiros? Mas a curtição mesmo é desfilar de Charger na terra do Tio Sam, um carro para o povo americano se orgulhar do seu modo de vida e capaz de mostrar a um entusiasta brasileiro como um pouco de diversão custa barato para o cidadão lá de fora. E tem gente que prefere economizar uns trocados para andar de Hyundai Accent e assemelhados...

25 comentários:

M disse...

Dotô,
Hyunday Accent e MaquiDonald são pros mindingos !
MAS o Genesis dá de 10 neste banheirão !

M disse...

Hyundai, desculpe-me...

Luís Augusto disse...

Se algum dia eu for a Seoul, alugarei um Genesis com prazer! Nos USA, só carro americano! Em Munique, só BMW, em Stuttgart, só Mercedes (ou Porsche...). Em BH, só Palio 1.0 (hahahahahhhhh)

Luís Augusto disse...

E não fiquei com a impressão de banheirão não! Achei mais ágil e "na mão" do que um Fusion.

Chrysler Building disse...

Critique o "American way of life" dentro deste carro...

Luís Augusto disse...

Hehehe, essa foi a melhor propaganda automotiva do Brasil.

Migdonio disse...

Luis, eu vou em Outubro para Laguna Seca ver o Porsche Reunion, mas concordo com voce no quesito, na América, usar carros americanos.
Vou ver se alugo um Mustang ou um Challenger por lá.

Luís Augusto disse...

Um dia eu chego lá....
Mas acho que o grande barato de viajar é esse mesmo.
Me lembro uma vez quando estava jantando e o sommelier insistia em "harmonizar" nosso pedido com um vinho de Bordeaux. Insisti que queria um californiano até ter que explicar a ele que não tinha ido aos USA para tomar vinho francês. Ele abriu um largo sorriso de desdém para o turistão aqui, mas o jantar foi ótimo!

Chrysler Building disse...

Luís,

Percebi que, como eu, você também aprecia Darts Sedans da primeira geração (70/72). Tenho um 70 Azul Profundo e outro 72 Preto Formal, além de um R/T "American way of life"...

Você conhece bem este Sedan 70 Azul profundo aí de BH, que salvo engano foi restaurado há uns dois anos atrás?

Caso conheças, o que achou dele?

Sou entusiasta dos Dodges de qualquer ano, mas atesto que os primeiros são colírios atersanais para as nossas retinas...
Um abraço,

Luís Augusto disse...

Chrysler Building,

Imagino que vc esteja fazendo referência a um belo sedã que já apareceu aqui no blog (aquele que fala dos parachoques).
Carro espetacular, parece que sempre foi da mesma família. Era recém-restaurado em Araxá/08 e apareceu algumas vezes no encontro do Alphaville. Depois sumiu. Tem um verde também 1970 por aqui igualmente impecável.
Abraços

M disse...

Eu tive um dos primeiros, 69/70, azul metálico com teto preto, automático, A/C e com vidros ray-ban !
Ainda era quase tudo "made-in-usa" !
O + interessante era o estofamento, de ótima qualidade, bem superior ao que apareceu depois.

Luís Augusto disse...

M e Chrysler Building,

Já ouvi de mais de uma fonte que o desempenho do Dart 70, ainda com motor americano, é estrondosamente superior ao dos posteriores, superior inclusive ao dos Charger R/T. Mas nunca vi nada documentado a esse respeito. A informação procede?

M disse...

Dotô,
Não tinhamos subsídios na época para comparação !
Só me lembro que os carros desta primeira série tinham um acabamento infinitamente superior !
Meu 2. Dodge foi um coupe 72. Era pé-de-boi de dar raiva.

Rodrigo Laranjo disse...

né por nada não, mas esse carro não é full-size não. Full-size é o 300C.

Chrysler Building disse...

O índice de nacionalização dos Sedans 1970 foi de apenas 35%, o que o torna bem mais interessante que os seus posteriores. Apesar do R/T ser a vedete da marca, ele perde DISPARADO para os 70ões em matéria de exclusividade de seus itens.

Enquanto o R/T 71, o "Rei dos Dodges nacionais", possue 6 itens que o distingue dos demais (bancos em couro, faixas laterais, pneus "red line" ou Goodyear Banda Larga, tampas de válvulas e do carburador cromados), o Sedan 70 ostenta nada menos que 31 particularides! Presumo que enumerá-las uma por uma irá causar um certo enfado nos nobres leitores deste blog...

Como o M bem mencionou, o acabamento interno dos primeiros é bem mais elaborado. Eu mesmo possuo um Sedan 72, que apesar de ter interior em jersey (contra a napa escorragadia dos Coupé), perde feio para os habitáculos azuis ou verdes, opcionamente disponibilizados nos Patriarcas.

Sobre a distinção mecânica mencionada pelo Luís, sinceramente não me recordo de ter ouvido falar nada a respeito neste âmbito. O que sabemos remete ao bloco, de parede mais espessa, virabrequim forjado e pinos de pistão flutuantes, mas estes detalhes também estiveram disponíveis para os modelos 71 (os pinos, até determinada milhar de 74).

O meu pesar fica por conta do descaso que pessoas dentro dos clubes específicos dão aos Dodges 4 portas. Isto mostra a limitação técnica e cultural em torno da marca que muitos deles, além de colecionarem, são ativos na divulgação e organização de eventos monomarca. Tenho que admitir, sem ressalvas, que colecionadores de marcas mais refinadas (Europeus em geral) dominam muito mais aquilo que colecionam do que nós.

Uma pena...

Chrysler Building disse...

Luís,

Este Sedanzão aí de BH é simplesmente fabuloso, não? Recebi algumas fotos meses atrás e não me contive com tamanho refino na restauração. O meu tem cor idêntica, mas o interior é azul.

Aliás, faço menção honrosa aos antigos de BH e adjacências. Além das famosas coleções de alguns membros do Veteran Local, muitos colecionadores "convencionais" andam comprando belíssimos carros.

E que assim prossiga...

Luís Augusto disse...

Chrysler Building,

Você é um dos primeiros a concordar com minha preferência pelos Dart Sedã 70-72, um primor em equilíbriodas formas. A esmagadora maioria prefere mesmo o Charger e os poucos que preferem o Dart tendem para o Cupê.
Também acho uma pena que os aficcionados não olhem para esse carro com a atenção que ele merece.

M, creio que o sedã 72 tem acabamento bem superior ao do cupê. Eles empobreceram o cupê para dar maior status ao Charger.
Abraço a todos

Museu do Dodge disse...

Luis,

Eu penso exatamente igual a vc ... Nos EUA só tomo vinho americano, dirijo carro americano, apesar das locadoras frequentemente querem empurrar algum ovni asiático ...

Só um comentário para o Rodrigo: O Charger e o 300C são exatamente o mesmo carro, mesma carroceria, mesma plataforma ... Muda as estampas e o acabamento apenas .... E definitivamente não é "banheira", mas um carro bojudo, encorpado, mas leve e firme, com direção de respostas rápidas e precisas ... Não consigo imaginar nada mais distante do conceito de "banheira" ...

Com relação aos nacionais, gosto de todos ...

Mas se estão fazendo uma referência específica aos da primeira safra, também faço aos da última, de 79 a 81 .... São certamente os melhores A-body já construídos. Um Le Baron automático é um carro que até hoje impressiona pelo equilíbrio, leveza e conforto ...

Abraços,

Badolato

Chrysler Building disse...

Luís,

O Sedans pré 73 são maravilhosos, com proporção um pouco menor na forma como são rejeitados. Estão saíndo do limbo justamente pela escassez absoluta de Chargers e Darts coupés no mercado. Logo chegará a vez dos demais anos, até atingirmos os da rabeira. Esta é a cultura dos que "amam" a marca...

A Chrysler sempre havia dado atenção secundária ao acabamento dos Coupés em detrimento dos demais. Para efeito de comparação, há uma diferença explícita de acabamento entre os Sedans 70 e 71 (forrações de porta, teto e costuras dos bancos) enquanto que nos Coupés, tudo ficou inalterado. Até em 72, que há mais similaridade no quesito interior com o ano pregresso, a costura dos bancos também foi modificada.

Precisamos evoluir MUITO se quisermos representar melhor a marca que escolhemos para colecionar. É mais que salutar entrar no fórum dos SIMCA e observar gorotos de 18, 20, 26 anos (eu sou um "Garoto" de 31)dominando com louvor os meandros que permeiam a marca, de forma linear ou até superior a muitos usuários já rodados...

Na "nossa" confraria, o confete e a purpurina estão bem mais arraigados.

Um forte abraço,

Luís Augusto disse...

Mas vamos amadurecendo!
Como um "garoto" um pouco mais velho que vc (tenho 34), ainda vi aberrações como sucatas com V8 preparados e escapamentos abertos roubando a cena em encontros de ANTIGOS, ficando Dodges como os "bicudos" que o Badolato gosta relegados a um segundo plano. Essas distorções vão sendo corrigidas com o amadurecimento do antigomobilismo. Agradeço a participação de todos.

Badolato, mais de uma vez já percebi preferência sua pelo Le Baron em relação ao Magnum? Só gosto pessoal ou o handling do Le Baron é mesmo superior. O Magnum, com seu câmbio no console, me parece mais atraente.

Paulo Levi disse...

Da última vez que estive nos EUA, aluguei um sedã Mitsubishi full-size feito especialmente para o mercado americano. Nem lembro como se chamava o modelo. Melhor assim, já que foi um dos carros mais sem graça que dirigi até hoje. E olha que normalmente gosto dos Mitsubishi.

M disse...

Paulo,
Tive um Eclipse 90, que comprei nos USA. Já trouxe com uma turbina maior. Dava 280 hp na roda.
Andei 160 mil km sem nenhum problema.
Sou "Porscheiro" assumido, mas preciso dizer que foi um dos carros mais divertidos que já tive.

Chrysler Building disse...

Quando ouço ou leio alguém falar do Eclipse, me remete de imediato o Gol GTI 16V...

Os "sabichões" da época diziam que era plágio do Mitsubishi, desprezando assim o erro de projeto grosseiro da VW.

Chrysler Building disse...

Leia-se "plágio", o ressalto no capô do alemão...

Museu do Dodge disse...

Luís,
Gosto dos dois, mas acho o Le Baron automático um pouco melhor do que o Magnum ...
Abraços
Badolato