sábado, 16 de outubro de 2010

FILHO ÚNICO


Após o início da produção dos veículos genuinamente nacionais, vieram quase que imediatamente os esportivos de pequena produção, inicialmente com investimentos das fábricas (Willys Interlagos e VW Karmann Ghia) e depois por obra de empresas independentes (Brasinca e Puma, entre outras). Praticamente todas as motorizações disponíveis por aqui foram utilizadas nas baratinhas (até motor de caminhão no Uirapuru e de Jeep no Capeta!), mas, curiosamente, a única mecânica brasileira com vocação realmente esportiva não emplacou em um legítimo Grand Tourer nacional - claro que estamos falando do quatro-cilindros DOHC da FNM, produzido sob licença da Alfa Romeo para o JK. A primeira tentativa veio com o Onça, uma cópia descarada do Mustang produzida com apoio da estatal que acabou vetada pela Alfa em Milão e cuja produção não passou de uma dúzia de unidades, se tanto. A segunda tentativa veio na virada dos anos 70, quando o Brasil queria ser grande; Darts, Galaxies e Opalas estavam sintonizados com o que se produzia lá fora e o sucesso do Puma até nos mercados de exportação encorajava novos empreendimentos das firmas pequenas. Assim, a concessionária FNM Caminhonauto viu espaço para um novo GT baseado no JK - ou 2150 naquela época. De estilo moderno (embora não necessariamente harmonioso), o projeto teve sua execução a cargo de Toni Bianco, que construiu uma carroceria de chapa baseada no chassi encurtado do sedã, e tinha ares de berlinetta, com espaço reduzido no banco traseiro e carroceria fastback. Entretanto, como ocorrera com o Onça em 1966, a Alfa Romeo, que havia assumido o controle da FNM em 1968, não concordou em ceder sua mecânica para um esportivo desenhado sem sua chancela e o FNM Fúria GT, como foi apresentado no Salão do Automóvel de 1972, não passou do único protótipo construído pela Caminhonauto. Presumindo a fidelidade do modelo da foto, premiado como o melhor Alfa Romeo nacional no Brazil Classics 2010, à época do seu lançamento, ele ainda traz a curiosidade de ter sido o primeiro carro nacional a carregar o brasão da casa milanesa, já que o 2300 só chegaria em 1974. Boa oportunidade para os colecionadores de fotos de Alfa Romeo pelo mundo enriquecerem seu acervo!

9 comentários:

M disse...

Só as aletas nas hastes dos limpadores, já bastavam para dar um sonoro ZERO prá josta...

Luís Augusto disse...

Vc me mata de rir!

roberto zullino disse...

só faltou tirar a foto de noite para aparecer o neon verde embaixo, como o M disse, as aletas conseguem piorar esse aborto. vale vinte litros de avigas, afinal é uma alfa.

Guilherme da Costa Gomes disse...

Carro interessante sim, mas me contento em saber que existe e com essa foto. Se fosse pra ter sob os meus cuidados, escolheria a pick-up FNM, que apresentei no AVA uns dias atrás...

Um esportivo filho único e que me causa muita curiosidade é o Simca Ventania. Abortado pela própria fábrica naqueles tempos. Não acho impossível recriar um... quem sabe um dia!?

Guilherme da Costa Gomes disse...

Vale lembrar que esse Fúria saiu em uma Quatro Rodas em 1972 e, ele era vermelho!

Luís Augusto disse...

Vermelho combina mais com um Alfa, não? Por que será que ele mudou de cor?

Francisco J.Pellegrino disse...

É a ditadura do preto e prata !

roberto zullino disse...

melhor preto e prata que preto e laranja.
ficou melhor prata, vermelho é para carros italianos, esse aí foi apenas fruto de uns copinhos de vinho tomados a mais.

Carlos Eduardo C. Del Bianco disse...

As aletas nas palhetas eram chamadas de costelas de tubarão e eram apenas encaixadas, sendo facilmente removíveis. Dizia-se na época que sua função era dar mais aderência quando em altas velocidades (quando havia tendencia das palhetas se "levantarem") pois o vento faria força aerodinâmica...se é verdade...

Quatro Rodas testou e era vermelha mesmo, pois tenho a coleção desde o número "zero". Correta a afirmação do membro acima.