sábado, 16 de maio de 2009

LONGE DO NOCAUTE

Apesar dos constantes melhoramentos no desenho original do Fusca desde o seu relançamento no final dos anos 40, a Volkswagen sabia que teria que investir em mudanças mais profundas no seu campeão a fim de enfrentar a acirrada concorrência dos modelos europeus e japoneses, de projeto mais moderno, que conquistavam fatias crescentes nos mercados do primeiro mundo na virada dos anos 70. O grande salto viria com o Fusca 1303, lançado em agosto de 1972 - justamente quando o volume total de vendas do besouro ultrapassava o do Ford T - e dotado da suspensão dianteira tipo McPherson, já vista no 1302 que o antecedeu, parabrisa panorâmico, painel acolchoado e interior requintado, com ganhos em espaço, segurança e dirigibilidade. Apesar do sucesso, fica visível o cansaço do projeto de Ferdinand Porsche no mais evoluído dos Fuscas ao se observarem as linhas desproporcionais do parabrisa em relação à carroceria e o aspecto da dianteira, que lembra o rosto inchado de um boxeador após receber um golpe (fenômeno semelhante ocorre no Corolla atual, que parece o modelo anterior "inchado"). Apesar de tudo, o nocaute do carro mais carismático da história só viria em 2003, com o encerramento da produção no México - que, ironicamente, nunca fabricou os chamados Super-Beetle 1302 e 1303.

23 comentários:

Francisco J.Pellegrino disse...

O design já estava esgotado....ms o bichinho é bunitinhu.....

By Appointment disse...

Design esgotado é uma coisa, mas carisma e gosto de muitos é outra.
As modificação apontadas na matéria não foram feitas de “livre e espontânea vontade” mas foram imposições das autoridades americanas de trânsito, sem as quais o Fusca seria proibido de ser lacrado como carro novo nos EUA, especialmente no que se refere à segurança. Por exemplo, o vidro curvo foi implantado para permitir uma distância mínima de segurança entre os passageiros do banco da frente e o pára-brisa. O mesmo se aplica ao painel “estofado” – ma non troppo. Já a suspensão McPhearsom, o câmbio “automático” e o ar condicionado forma melhorias impostas pelas exigências de mercado.
Voltando a falar de carisma, o Fusca foi o único carro da VW que alcançou sucesso maciço nos EUA. Tanto foi assim que o mercado exigiu a volta do Fusca que ocorreu através do New Beetle, mas isto já é um capítulo para si, controverso e interessante. Mas este fato mostra que o carro inicial, o Fusca clássico foi e ainda é um carro carismático que, na verdade, ainda é interessante para países do terceiro e quarto mundo (como algumas regiões do interior Brasileiro).

Felipão disse...

nem imaginava isso que foi colocado pelo By Appointment... Continuo vindo aqui pra aprender...

M disse...

Indiscutivelmente é um dos carros com mais "personalidade" jamais frabricado.
O VW continua tendo uma legião de apaixonados pelo mundo afora.
Onde menos se espera, encontra-se um clube ou uma ocicina "especializada".
Tem um 1302 e dois 1303 na minha garagem. O cabrio para o trânsito e sempre aparece alguém perguntando onde eu mandei fazer...

Pé de Chumbo disse...

M, faz favor:
Relacione os carros da sua garagem, assim a gente não fica perguntando o tempo todo...

Teca disse...

Esse round é eterno, galeeeeeeeeera!

Ótima postagem, excelentes comentários.

Beijos.

roberto zullino disse...

Os Vw só deixaram de ser fabricados por uma lógica interna e não externa. O processo de fabricação é mais caro do que um carro normal, com muito menos possibilidades de automação. Nunca deixaram de ter mercado. O problema é que o mercado também nunca quis pagar o preço do custo mais caro. Todo mundo quer VW, mas quer barato, pois na comparação com outros populares ele perde feio. Um carro hoje em dia inviável dentro do modelo de produção existente. Em um país com mão de obra treianda e farta o mesmo seria viável, mas mesmo os países do terceiro mundo são obrigados a seguir os processos do primeiro.

Luís Augusto disse...

Zullino, ficando no exemplo do Brasil, apesar de haver muitos lugares onde o Fusca ainda é o carro mais adequado, a imensa maioria dos consumidres de 0 km está em grandes centros urbanos, nos quais as qualidades do Fusca não compensam suas deficiências, principalmente a ausência de ítens de conforto que podem ser encontrados até no Uno Mille. Por isso poucos quiseram pagar o seu preço em seus últimos anos.
Penso que, mesmo que a VW conseguisse alcançar um patamar inferior de preço, nem assim ele seria competitivo, pois haveria seminovos mais atraentes - sempre na ótica do consumidor das grandes metrópoles.

roberto zullino disse...

Gosto de fuscas e gosto de Unos Milhos, tive vários. O Uno é incomparavelmente melhor que o fusca, anda mais, é mais confortável alisando lombadas, tem estabilidade muito superior, faz menos barulho e é quase indestrutível. Tive um aqui em casa que era carro de rodízio e usado por um monte de gente, era dos tradicionais 1994 ainda com os comandos de painel por satélite. Vendi com 140 mil km para o frentista do posto aqui da granja que tem o Milho até hojee nunca mexeu no motor. Nunca queimou uma lâmpada e troca de óleo era a cada 10 mil planejados e 20 mil na realidade, ainda bem que usava Selênia de base sintética. Um fusca requer troca a cada 3 mil.
Gostamos do fusca pela saudade, mas é burrice comprar um fusca ao invés de um Milho.

Luís Augusto disse...

A não ser que vc precise usar o carro em condições extremas, como ocorre na maior parte do BraZil (desculpe, M, não resisti...).
Tração traseira, suspensão robusta e mecânica extremamente simples fazem a diferença nesses lugares - onde, reiterando, não corre dinheiro suficiente para formar uma clientela compradora de 0km.

M disse...

Pessoal,
Fusca hoje é ítem de coleção, só justificavel pelo saudosismo.
Ou para quem precisa enfrentar estradinhas de barro onde o bicho dá banho em muito 4X4.

By Appointment disse...

Olhando um pouco para a história a gente pode lembrar-se do ocaso programado do Fusca em 86 podemos lembrar-nos do lançamento do Corcel II que foi a sensação da classe média emergente. Um carro “grande”, bonito e moderno para a época – sonho de consumo imediato nas grandes metrópoles, pois para o pessoal do “sertão” o Corcel II não era nem de longe um substituto viável para o Fusca. Não daria nem para a partida, no primeiro trecho com barro ele ficaria para aguardar o reboque.
Mas quem sabia, sabia, quando o Fusca voltou em 93 graças a um capricho do Itamar Franco (e ao interesse na Kombi “popular” da VW do Brasil) grandes consumo logo compraram frotas. Telesp, Polícia do Rio de Janeiro, Casas Bahia e assim por diante.
No âmbito internacional países da África e do ambiente andino tentaram importar o carro, mas o plano estava traçado: cumprir somente a pequena meta contratada (enquanto a linha de produção da Kombi tinha três turnos – e a qualidade acabou caindo sensivelmente).
Conforme colocado anteriormente o Fusca ainda é conveniente em países do terceiro mundo para baixo, ou em regiões que apresentem condições equivalentes.
Falar do Fusca com sotaque cosmopolita realmente não se aplica. Carro “moderno” é para grandes centros, quem se embrenhar no sertão com um carro moderno corre o risco de ter que voltar de caminhão, pois não existe assistência técnica adequada por lá. As montadoras, hoje em dia, estão codificando a tal modo a atualização do software das “centralinas” (desculpem o italianismo) que até nos grandes centros as oficinas particulares pequenas estão entrando em agonia. Vide o exemplo da FORD que oferece a atualização deste software através da Internet somente para quem tem a senha (geralmente só concessionárias), além de ser necessário um hardware e software dedicado adequados para fazer a atualização (geralmente um PALM carregado no desktop ligado à Internet).
Pois é quem não tem cão caça como gato e no fundão do Brasil o que resolve é coisa simples de se manter, como o Fusca aspirado (os injetados no México já não apresentavam a simplicidade necessária para “trabalhar” como necessário nos cafundós do mundo).

Luís Augusto disse...

Minha experiência: tenho dois Fusca, um 1300 e um 1500, ambos muito divertidos quando usados eventualmente, mas que se tornam cansativos quando passam ao uso cotidiano.

By Appointment disse...

Pois bem, este é o prenúncio que logo o descritivo abaixo será alterado?
QUOTE
Médico psiquiatra apaixonado por carros antigos, gastronomia e boa música. Considera que nasceu antigomobilista, já que, em 1977, seu pai tinha um Fusca 69, o qual acabou herdando, em 1995, como o seu primeiro carro - antigo e de uso cotidiano - e conserva até hoje.
UNQUOTE
Ou estou entendendo errado?

Luís Augusto disse...

Bem observado, não tinha notado a contradição!
Na verdade o 69 foi usado entre 1995 e 2001 diariamente, durante a graduação, mas a necessidade de percorrer 2 mil km/mês ou mais, após ter me formado, me fez comprar um popular 0km. Desde então, só uso o Fusca ocasionalmente (de vez em quando eu cismo e escalo algum antigo para usar no cotidiano durante algumas semanas, mas é só).
Realmente eu não havia notado a incoerência.

By Appointment disse...

Don't worry...Manter a coerência é um jogo duro para todos nós, você verá como isto é verdade quando estiver a educar o seu filhote – não vá apelar para o –“Faça o que eu digo e não faça o que eu faço...” Será um golpe sujo com o petiz. Como bom psiquiatra já vá fazendo a sua análisezinha preparatória.
Eu também uso antigo só de vez em quando ( no intervalo toca dar a partida), mas tenho a condição de andar num carro moderno com muito conforto e segurança, mas isto é para poucos, há uma multidão que lamberia os beiços ao "pilotar" um Fusca por estadas deficientes destes rincões.
É como quando vou a excelentes hospitais e laboratórios, simplesmente porque posso me dar a este luxo (o bom plano cobre). Não é por isto que deixo de me lembrar daqueles que não tem esta sorte. Não é por eu poder que vou esquecer-me de quem não pode.
Em tempo, quando estudante eu era muito feliz de ter um Fusca para andar... Antes disto era Mercedes-Benz com motorista particular, equipado com roleta e para 36 sentados e mais do que 40 em pé. Tem gente que não passou por este tipo de ensino.
A gente se acostuma ao bem bom, mas bem que poderia lembrar-se dos menos favorecidos. Tai o Nano mostrando que a demanda á enorme, só que o Nano não é um Fusca e jamais o será, é mais barato, mas deve ser altamente descartável...

M disse...

Que coisa incrivel...

De Gennaro Motors disse...

NICE CAR !!!!!!!!

roberto zullino disse...

M,
O que você achou incrível?

Luís Augusto disse...

Ai, ai, ai...

M disse...

Hehehehhhh...
Conhece aquelas pessoas que, quando vc pergunta se estão passando bem, elas explicam ?
Pois é...

Pé de Chumbo disse...

Rá!


Abalou, M....

Anônimo disse...

eu acho os 1303, com sua carinha diferente, lindos demais!! tenho 1 laranja 74 e adoro ele!