segunda-feira, 19 de abril de 2010

O FILHO DA BRISA



Bem menos ousada do que o Graham-Paige do post abaixo foi a resposta da Chrysler ao sucesso do Lincoln Zephyr, talvez porque a empresa ainda estivesse traumatizada com o fracasso do Airflow. Seu estilo, no entanto, também marcou época e fechou a década sintonizado com a tendência streamline, à qual apenas a GM parece ter sido reticente em aderir, com faróis em forma de gota integrados aos paralamas e grade aerodinâmica a partir de 1939, como no modelo da foto acima clicado pelo Gustavo Leme e que repousa na coleção do Og Pozzoli. Naquela época, a linha Chrysler, marca mais sofisticada do grupo, era dividida basicamente entre os modelos Royal, menores e mais simples (porém superiores aos Dodge e DeSoto, do segmento intermediário), com motor seis em linha, e Imperial, a crème de la crème com oito cilindros em linha com três opções de entre-eixos e cuja carroceria longa demais não casou tão bem com o belo desenho da dianteira. Até onde vão os conhecimentos deste leigo no assunto, o modelo do Og é um Royal, mais simples - por favor, me corrijam se eu estiver enganado.

O FILHO DO VENTO


Depois do fracasso de vendas do Chrysler Airflow em 1934, o design automotivo norte-americano adotou uma postura conservadora até 1936, quando o Lincoln Zephyr deu novo impulso aos modelos aerodinâmicos, que já faziam sucesso no mercado de luxo da Europa desde o início da década. Dentre as marcas que seguiram os passos da Lincoln, estava a prestigiosa Graham-Paige, surgida em 1927 após a aquisição da Paige pelos irmãos Graham, três competentes administradores. Em 1938, apesar das dificuldades financeiras causadas por um malsucedido face lift na linha 1935-37, os luxuosos modelos da marca foram inteiramente renovados sob o mote publicitário Spirit of motion, tendo o seu design causado enorme impacto nos EUA e na França, onde ganhou vários prêmios. Tal como o Zephyr, seu desenho parece ter sido inspirado nos modernos trens que cruzavam a América e sugeria movimento mesmo parado, parecendo ter sido esculpido pelo vento; como a marca era a maior especialista em compressores da América, os modelos Supercharged, como o 1939 da foto acima, tinham desempenho irrepreensível. Entretanto, como ocorrera com o Airflow, a ousadia não se refletiu nos números de vendas e a Graham-Paige só não foi à falência por causa da entrada dos EUA na II Guerra, tendo sido as suas instalações convertidas para a produção materiais bélicos. Apesar do fôlego dado pelos contratos milionários com as forças armadas, não houve modelos da marca no pós-guerra, que foi substituída pela Frazer, logo vendida ao magnata Henry J. Kaiser, que aproveitaria suas plataformas para dar início à produção de veículos com seu próprio nome.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

OUTRO LTD


Antes que algum detalhista se manifeste, posto a foto do LTD do meu amigo Zé Ângelo, também 1978, que traz as calotas corretas do modelo, já que o da foto abaixo está com as calotas do Landau. Dourado com vinil preto é uma combinação menos impactante do que a anterior, mas também esteve disponível, nessa safra, apenas no LTD.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

REQUINTE MENOS FORMAL


O Ford LTD surgiu em 1969 como versão luxuosa do Galaxie 500, conhecido dos brasileiros desde 1967; em 1971 surgiu o LTD Landau, versão que durou até 1975. No ano seguinte, com a remodelação da linha, o LTD e o Landau se tornaram duas versões separadas e o LTD acabou sendo eclipsado nas coleções brasileiras pelo refinado Landau, em que pese o acabamento semelhante e a motorização idêntica. Mas o LTD tinha a seu favor a disponibilidade de cores mais interessantes que o Landau que, com exceção de uma série comemorativa de 1979, pintada em vinho, sempre foi oferecido em tons neutros, mais adequados a um carro de representação, como o famoso Azul Clássico dos últimos tempos do carrão. Enquanto isso, o LTD teve mais a cara dos anos 70, com combinações mais alegres e ousadas de cores, como esse charmoso modelo 1978 azul claro com vinil branco, e acabaram ficando mais vistosos que o irmão rico 30 anos depois.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

QUESTÃO EXISTENCIAL

Depois que a popular Hyundai virou marca de prestígio no Brasil graças ao marketing agressivo do importador (que chegou a insinuar que o Azera seria superior ao BMW Série 7!), será que alguém já considera modelos como o Excel acima dignos de coleção?
Foto capturada do blog Carros Órfãos.

sábado, 10 de abril de 2010

COISA RARA DE SE VER


Em um encontrinho casual de fim-de-semana, a elegância dos Packard conversíveis do pré e do pós-guerra com um GT Malzoni e uma Maserati Ghibli ao fundo.
Foto tirada hoje à tarde, no Alphaville.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

TOC

Antes que algum engraçadinho se habilite a me dar o diagnóstico acima, informo que deu um trabalhão adicionar novos grupos de marcadores no blog, mas acho que valeu a pena. O conteúdo está crescendo e a orientação ao leitor estava precária. Espero que gostem!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

DE VOLTA À CASA VERMELHA

Como já havia algum tempo que uma das jóias do Og Pozzoli não aparecia por aqui, voltamos em grande estilo com o Chrysler L-80 Imperial Dual Cowl Phaeton Le Baron 1928, vencedor do Troféu Roberto Lee em 1991 e visto pela última vez pelo grande público no Brazil Classics 2006. Concebido em 1926 para concorrer na faixa dos Lincoln, Cadillac e Packard, o Imperial deu muito prestígio ao grupo Chrysler ao ter sido o escolhido como carro-madrinha da Indy 500 daquele ano e devia o "80" do seu nome à velocidade máxima em milhas por hora (130 km/h), embora o modelo 1928 do Og, já com a cilindrada do straight-six aumentada para 5.1 litros, fosse capaz de alcançar as 100 mph (160 km/h). Le Baron era o nome da encarroçadora ligada à Chrysler que acabou sendo absorvida pelo grupo, como ocorreu com a Fleetwood e a GM. Curiosamente, foi esse modelo o escolhido para a primeira capa da saudosa Motor 3 do José Luiz Vieira, como lembrado há pouco no Auto Entusiastas, mas o Le Baron do Og tem outra importante honraria: foi a bordo dele que o Papa João Paulo II viajou de Aparecida a São José dos Campos em 1980, na mesma visita em que ele desfilou no Lincoln 1938 que já apareceu por aqui. Mas, dessa vez, o generoso colecionador não foi o motorista de Sua Santidade, cedendo a honra ao seu mecânico de confiança na época, cujo nome não consegui resgatar.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

CARRO DO LEITOR - 1

Quem tem carro antigo sabe o quanto é difícil usá-lo no cotidiano. Trânsito pesado demais, vagas apertadas e sujeitas a intempéries e pequenos esbarrões, falta de ítens de conforto para o tempo que se gasta dentro do carro e, mais recentemente, o risco enorme de furto, têm desencorajado mesmo os mais animados. O jeito é se conformar em ter um carro qualquer para o dia-a-dia, certo? Nem sempre. Tenho notado que alguns leitores deram um jeito de encontrar um carro com pedigree para a labuta diária sem ter que se sujeitar tanto aos problemas descritos acima e é a esses "novos clássicos" que dedico a nova seção do blog, começando em grande estilo pelo Chrysler 300M, o carro de uso do Alexandre Badolato. De estilo inconfundível - belíssimo, na minha opinião - ele deu seqüência às letras da série 300, interrompida no 300L de 1965 (houve um 300 isolado, sem letra, em 1970) e sua dianteira tem alguma identificação com o clássico 300G, embora as quatro portas e o V6 3.5 com tração dianteira lembrem ao motorista o quão distantes estão anos de ouro da linha 300. De qualquer forma, o 300M, feito de 1999 a 2004, será lembrado como o último grande produto inteiramente desenvolvido pela Chrysler (antes da fusão com a Mercedes) e seus 253 cv são mais do que suficientes para lhe dar um desempenho diferenciado; de quebra, ele abriu caminho para a ressurreição da série, fazendo com que sua vaga no Museu do Dodge esteja garantida em um futuro próximo.

domingo, 4 de abril de 2010

1972


Provavelmente este é o ano de mais fácil identificação dos Porsche 911, graças à abertura do bocal do tanque de óleo logo atrás da porta direita, como no 911T da foto acima. Somente os modelos 1972 da série têm o tanque de óleo nessa posição, enquanto o dos outros - mais antigos e mais novos - fica logo atrás da roda traseira direita com a tampa dentro do compartimento do motor. Devo este post ao Mr. M, que deve estar de malas prontas para os EUA para garimpar mais uns 911 para sua coleção!