quinta-feira, 4 de novembro de 2010

DE VOLTA À ERA DOS BARÕES...


Se, como discutido anteriormente, é razoável pensar que o Benz era o veículo europeu de alto luxo mais bem-quisto entre os grandes proprietários de terras da jovem República brasileira, seu rival norte-americano dos primeiros tempos foi, sem dúvida, o Cadillac. Fundada em 1902 e absorvida pela GM em 1909, ela se tornou a mais prestigiosa marca norte-americana naqueles anos de pioneirismo graças à precisão de sua engenharia, sendo famosa a história de três modelos totalmente desmontados que, após terem suas peças embaralhadas, foram remontados sem problemas, valendo um prêmio na Inglaterra. Entre as grandes contribuições da marca para a evolução do automóvel naquela época, estavam a introdução do motor de arranque, que aposentou a manivela de partida, e do primeiro V8 produzido em série, visto pela primeira vez em 1915 em uma unidade semelhante à Limousine Brewster 1916 da foto acima, o mais antigo modelo da marca conhecido no Brasil. Com residência fixa por aqui desde a primeira infância, ele esteve no último Brazil Classics e traz uma história curiosa: temendo ter seu carro confiscado para o esforço de guerra aliado durante as hostilidades de 1914-18, seu proprietário o escondeu em um celeiro e ele ficou esquecido lá por 51 anos em estado de hibernação (provavelmente, após o fim da I Guerra, seu abastado senhor, um fazendeiro de café do RJ, comprou um carro mais atualizado para suas viagens de negócios), fazendo com que seu estado de conservação e preservação seja fora do comum para veículos dessa idade. Mas, talvez em solidariedade ao Benz 1911, que não estava em condições operacionais no encontro, o Caddy se recusou a funcionar no dia do desfile da premiação, ficando, como o "colega" alemão, sem troféu para levar para a garagem.

12 comentários:

M disse...

Dotô,
O carro azul a esquerda é um Packard 26 ?

Luís Augusto disse...

Não, é o Cadillac V12 1931 que foi do Marcus Conte. Havia um Buick também 1931 de uma coleção paulista, da mesma cor do Cadillac, mas não me lembro de nenhum Packard 1926.
Há um Packard dessa cor aqui em BH (acho que 1926 mesmo), só que é roadster.

Francisco J.Pellegrino disse...

Lindos, o dois tons azul deve ser coisa maravilhosa...

Luís Augusto disse...

Chicão, o Cadillac tem seis tons de azul!

M disse...

Acho que este Packard roadster foi do Xandinho.

Nikollas Ramos disse...

Luís eu não entendi: mesmo escolhido o carro não recebe troféu se não funcionar n hora de ser premiado?

Luís Augusto disse...

Não recebe! O dono do Cadillac 1916 lamentou bastante esse critério. Já aconteceu antes, com o Chevrolet 1915 do Mauro Salles em 2004.

M disse...

Tá certo !
É automóvel !
Auto-imóvel não leva nada !

Luís Augusto disse...

Hehehe, o problema é que os dois chegaram lá funcionando, mas emburraram justamente na hora da premiação!

Luís Augusto disse...

M, O Xandinho é o Aliperti? O que foi feito da coleção dele?

M disse...

Oi Dotô !
Isso mesmo ! O Xandinho foi um grande amigo !
Acompanhei a restauração do Packard 26, inclusive fundimos algumas maçanetas dele lá na fábrica.
Infelizmente foi tudo vendido.

Anônimo disse...

O Hispano Suiza do Aliperti foi vendido para onde, vcs sabem???? O Packard do Aliperti, a roadster, é 1931 - hoje está na coleção do..., mesmo dono das Isotta hahaha