quinta-feira, 22 de abril de 2010

CARRO DO LEITOR - 2


Voltando à série dedicada aos que não se conformam em andar com um carro "normal" mesmo diante da impossibilidade de usar um antigo no dia-a-dia, dedicamos o post de hoje à macchina do Roberto Zullino, venerável freqüentador deste espaço, pelo qual já fez inúmeras e eternas amizades. Ao contrário do que se ouve por aí, a Alfa Romeo 145 é muito mais do que um Tipo com roupa de festa, trazendo a moderna suspensão usada posteriormente nos Brava/Marea e motores Twin Spark DOHC 1.8 (142 cv) ou 2.0 (150 cv) derivados daqueles usados na 155, os dois disponíveis na belíssima Quadrifoglio da foto acima ou na mais discreta Elegance, ambas trazidas oficialmente pela Fiat entre 1995 e 1999. Considerada pelos entusiastas um hatch muito superior à concorrência, dado o desempenho e comportamento dinâmico de um verdadeiro esportivo, a 145 acabou sendo vítima da política equivocada da Fiat para os importados - sem uma rede exclusiva de concessionárias Alfa Romeo e com preços de modelos 0km loucamente especulativos, tendo a marca caído em descrédito junto ao consumidor comum - e hoje é encontrada na "boca" a preço de banana, enquanto os concorrentes Audi A3 e BMW Compact ainda carregam sua dignidade nas portas de restaurante e estacionamentos de supermercado das grandes metrópoles. Na estrada, entretanto, a história é outra...

13 comentários:

Gustavo disse...

Belo carro! Digno representante da marca.

roberto zullino disse...

Tenho uma humilde 145 Elegance 1,8 Twin Spark desde nova, sempre foi usado por minha mulher sem o menor problema, sequer uma lâmpada queimada. Quando o carro ficou com 120 mil km foi substuído por um Honda Fit com câmbio CVT, um carro que é um sonífero.
A Alfa veio para meu uso e vai pelo menos 3 vezes por semana para o km 70 da Anhanguera com muito conforto e segurança. Portanto é um "workhorse", aqui em casa não fica nenhuma lata sem uso, quando algum veículo fica sem uso vai para a rua sem dó. Não me apego a "latas".
Como é um carro que andou a maioria da vida em estradas nunca deu manutenção. Tem alguns defeitos recorrentes como a suspensão dianteira que gasta as buchas, mas usa as bandejas do Marea e não custa muito. Muitas peças são idênticas às do Marea, mas o motor tem um cabeçote muito diferente, pois tem duas velas por cilindro o que requer que a centralina também seja diferente.
Algumas já estão e estado decrépito, mas ainda existem muitas bem cuidadas pelos seus usuários e ainda prestando bons serviços. Com uns 20 mil dá para se comprar uma em estado de bom para excelente. A Quatro Rodas escolheu a 145 como uma das melhores opções de usados.
Se for pensar e desempenho é bater em criança, a Alfa breca, faz curva, tem um motor que vai a 7 mil giros com comando variável que lhe permite virar esquina em quinta. Acaba com qualquer Audi ou BMW de mesma cilindrada. Aposto que o custo das peças e de manutenção são bem menores, mas requer donos espertos e que saibam escolher onde comprar e onde levar o carro. Como toda Alfa não é para quem quer, é para que sabe.

Tohmé disse...

Sempre quis um usado e sempre tive temor em comprá-lo.

Francisco J.Pellegrino disse...

Este carro é mais ruim que encoxar a mãe no tanque...fala sério, conhecido aqui em Sampa como "OSESP".

roberto zullino disse...

Como eu disse, não é para quem quer, é para quem sabe e quem não sabe tem Veraneio GT.
A Alfa 145 não é igual à 164 que é um carro ruim e que só dá defeito, é um carro que aguenta muito abuso sem o menor problema como a maioria das Alfas.
O segredo das Alfas é a manutenção, a 145 não dá manutenção, mas requer mecânicos que entendam o carro e que coloquem peças adequadas, o que nem é muito difícil hoje em dia, principalmente porque usa muita coisa do Marea e Brava.
Fora o que empurra, por um preço muito baixo dá para se ter um carro estradeiro com muito conforto, segurança e desempenho.

Francisco J.Pellegrino disse...

O codinome aqui em Sampa é OSESP, seus argumentos não convencem a maioria dos usuários e ex-proprietários...

roberto zullino disse...

A Alfa 145 é igual à OSESP sim, mas é porque dá ConCertos musicais com o som do motor.
ConSerto é outra coisa.

Pé de Chumbo disse...

Zullino, a 145 tem dois pontos de ignição em sequencia para cada cilindro, ou é ignição simultânea, como motor de avião?

roberto zullino disse...

a ignição ao que me parece é em sequência, o carro tem 4 bobinas em cima de 8 velas, 4 pequenas e 4 grandes, no entando, a bobina que está em cima das velas não alimenta as duas do mesmo cilindro. cada bobina alimenta uma vela pequena e a vela grande do cilindro vizinho. Uma vela é para torque em baixa e a outra para a alta. são velas de platina que duram 100 mil km.
Isso e mais o comando variável permite que o carro tenha uma grande economia de combustível se não for puxado, faz quase q4 km/l a 100 km/h na estrada.

Pé de Chumbo disse...

Belo motor...
Me ocorreu agora, que um V-8 antigo tinha um sistema de "prolongamento de faisca", não lembro bem qual motor era, mas se não me engano era um Ford, que dava duas faiscas sequenciais na mesma vela.
Nem sei como funcionava, talvez com dois distribuidores, cada um com um ponto diferente...

Migdonio disse...

A um tempo atrás eu cheguei a pesquisar para comprar uma, achei uma em São Paulo com 23.000 km originais, mas foi vendida no dia que liguei ao sujeito. Tem uma a venda aqui em Curitiba com 67.000 km que é de um cara que tem 3 Alfas, está muito bonita. Com paciência e uns 17-18 mil reais voce acha uma muito boa.

Antônio Martins disse...

Parabéns pelo carro. Vc ainda tem a sorte de ter este exemplar desde zero, portanto sua opinião tem muito peso. Carro usado é uma incógnita, não gera juízo de valor. Cheguei a este espaço por estar pesquisando sobre os Alfas, que, sejam do passado ou os atuais, são carros de técnica avançada e de muito prazer ao dirigir. A Fiat manteve a alma da marca, pena que ela morreu por aqui.

Um abraço

Arthur Jacon disse...

É um lindo carro, com uma engenharia refinada, visando ao prazer na condução. Carro de entusiasta.