segunda-feira, 5 de junho de 2017

II RAID CVA-ESTRADA REAL - A AVENTURA DO SOVIÉTICO EM TIRADENTES


A equipe CCCP poucos minutos antes da largada

Quando ficou definido que o CVA-MG, clube do qual sou sócio-fundador, faria seu quarto rally de automóveis antigos (o II Raid Estrada Real, em Tiradentes, em 27 de maio de 2017), decidi escalar o Lada Laika para a missão. Tendo feito três provas a bordo do MGB, com um desempenho brilhante (dois primeiros e um terceiro lugar), era hora de buscar uma experiência diferente. Por contingências da vida, eu havia vendido o meu carro do dia-a-dia um mês antes da prova e vinha usando o soviético na labuta diária, sempre com um sorrisão no rosto, para espanto dos motoristas de Corollas e Renegades que frequentam as ruas da zona sul de Belo Horizonte. Eu já havia decidido que o carrinho merecia uma restauração (ou melhor dizendo, uma repintura, já que seu interior - de fábrica - era absolutamente perfeito), mas queria curti-lo sem maiores preocupações antes da empreitada que, certamente, tornaria seu uso um pouco mais restrito.
Ao lado dos esportivos europeus, como essa BMW 2002 Ti, o russo parecia em casa
Aprovado no uso diário, por que não inscrevê-lo em uma prova de clássicos? Motor com carburação Weber, tração traseira, direção bem direta, câmbio com pegada esportiva… parecia uma ótima pedida! Como estava tudo em dia com sua mecânica, bastou ir. Eu e o Eduardo, meu navegador, já estávamos bem sintonizados, graças ao sucesso em provas anteriores, e a expectativa por um novo bom resultado era grande. A paramentação foi a caráter, com um relógio Sturmanskie no pulso e a réplica da camisa preta do grande Lev Yashin, com os dizeres CCCP no peito, o que causou alguns olhares um tanto hostis, em tempos de intolerância política. Como não discuto política fora dos fóruns específicos para isso e como a maioria dos amigos que estavam no evento sabe que minhas convicções passam bem longe da intervenção estatal, dei pouca bola para os mal humorados e parti para cumprir as médias.


Na largada, muita expectativa sobre como o Lada se sairia em condições de maior exigência

No início, fomos muito bem, zerando alguns PCs e negociando com tranquilidade as ultrapassagens sobre os caminhões, mas, a partir do segundo terço da prova, entendi na prática a diferença de um verdadeiro esportivo para um carro popular. Os freios do Laika sentiram o esforço de uma direção que visava a precisão nas mudanças de média de velocidade e perderam eficiência por superaquecimento, algo que nunca havia ocorrido nas provas com o MGB. O desempenho em trechos de subida também beliscaram os limites do soviético, que urrava para se manter na média estipulada, mas, ao final da prova, sentimos que estávamos no páreo.

Um lindo registro de um momento da prova. Lugar de carro antigo é na estrada! 

Só que uma punição de 600 pontos, por não ter passado em um posto de controle (na verdade, passamos a cerca de 50  m dele), nos tirou da disputa pelo pódio. Se não fosse esse erro, que nos deixou em 18o lugar entre 54 inscritos, estaríamos brigando pelo segundo ou terceiro lugar, prontos para colocar em evidência, para o universo do carro antigo, um veículo de grande valor - histórico e de engenharia - que ainda não encontrou seu lugar entre os colecionadores brasileiros. Mas, como sempre, valeu a diversão.
Nazdarovia!

4 comentários:

João Paulo Sousa disse...

Otimo texto Luiz! Por mais que não tenha passado pelo PC, ver o Lada passando rapido por ele foi muito legal!!!

Mario Lott disse...

Parabéns pelo texto e pelas provas do CVA-MG.
O nível da organização, carros e competidores está excelente.
Já temos data para a próxima ?
Este ano devemos ter no segundo semestre as Mil milhas históricas
Coordenada pelo MG (do carro Ingles e não de Minas Gerais) clube de SP
Vai sair de Curitiba e passar pela serra da Graciosa.
Seria legal se conseguíssemos levar uma turma de Minas este ano.

Bruno Andrade disse...

Luis, excelente relato.
Participar com o Lada foi mesmo um ato de bravura!

Hygor disse...

Ótimo e divertido texto Luis. Muito bem escrito.

Abs!