quarta-feira, 31 de agosto de 2011

PULGA MODERNIZADA


Como já dito por aqui em outras oportunidades, embora os volumes de produção da Fiat argentina não tenham sido tão expressivos como no Brasil, a gama de modelos oferecidos aos nossos vizinhos pela marca piemontesa foi bem maior do que a nossa - e bem mais longeva, já que a Fiat montou sua primeira fábrica por lá em 1958, em Córdoba. Em meados dos anos 60, enquanto a matriz lançava o 850 para se posicionar entre o 600 e o 1100, a filial argentina preparou uma atualização sobre a plataforma do 600, que já era produzido por lá, e encomendou a Vignale o desenho acima, que guardava semelhança com algumas versões do 850 italiano; como neste, a mecânica também era derivada da do 600, de quatro cilindros, mas com deslocamento aumentado para 0.77 litro e 36 hp brutos, que permitiam ao pequeno Fiat a máxima de 115 km/h; logo depois, houve um pequeno aumento da cilindrada para 0.8 litro. Carrocerias Berlina, Coupé e Spider eram disponíveis e, apesar do tamanho diminuto, levavam até quatro passageiros mesmo na rara versão Spider (1200 produzidos entre 1966 e 1969, ante 7800 unidades das versões fechadas entre 1965 e 1970), que também traz o título de único conversível produzido em série pelos hermanos. O modelo 800 Spider 1968 acima foi fotografado no Brazil Classics 2010.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

PARABÉNS

Segundo o AutoEntusiastas, o último Mopar Nationals se consolidou como o maior encontro das marcas do grupo Chrysler fora da América do Norte. Segundo o blog do Flávio Gomes, o Blue Cloud é o maior encontro de DKW fora da Alemanha. O antigomobilismo brasileiro segue dando sinais de enorme vitalidade...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

BLUE CLOUD 2011 - DETALHES, CURIOSIDADES E CONSIDERAÇÕES FINAIS




Para fechar a cobertura do Blue Cloud:
- A Audi finalmente parece apontar para uma mudança de postura e apoiou, embora timidamente, um evento que envolve diretamente suas tradições, mandando dois TT para a exposição e hasteando uma bandeira com sua marca na fachada do hotel. É pouco, diante do que faz a Fiat em Araxá, por exemplo, mas é um começo.
- A Dekabrás, loja gaúcha especializada em DKW, levou até um Belcar 1965 para test drive, mas não permitiu que não-proprietários da marca - como eu - guiassem o carro, o que me parece um contra-senso com os potenciais clientes da empresa; quem já tem um DKW, a não ser que seja colecionador especificamente daquela marca ou que use o carro no cotidiano, dificilmente vai querer os serviços da Dekabrás regularmente. O Sr. Matheus Jaeger se limitou a me entregar seu cartão de visitas e se colocar à minha disposição para quando eu tiver um DKW...
- Está mais do que na hora das pequenas estâncias darem mais importância a esse tipo de evento, que movimenta o comércio e a hotelaria locais em períodos de baixa temporada com um público disposto a gastar dinheiro, fora a repercussão nas mídias, que sempre traz de carona algo da cidade. Contactar clubes dispostos a organizar um não deve ser difícil.
- Os encontros focados em uma marca ou modelo trazem um charme diferente em relação aos encontros mais generalistas que normalmente ocorrem. No Brasil, o Blue Cloud só tem como paralelos, em características e proporções, o Mopar Nationals e o Amigos do Galaxie. Mavericks, Opalas e outros hits capazes de mobilizar uma quantidade razoável de entusiastas permanecem órfãos de encontros próprios. Os colecionadores de Fusca e congêneres têm tentado algo, mas o resultado ainda é tímido, resumindo-se a encontros regionalizados. Mercedes, BMW, MG e outras têm encontros mais restritos.
- A ausência de clubes, federações, diretoria e aspones em geral, bem como a abolição do concours d'elegance e sua habitual bonfire of the vanities, assim como a presença de personalidades ligadas à história da Vemag (Bob Sharp, Bird Clemente, Marinho, Kiko Malzoni e Crispim estavam por lá), podem indicar o caminho para o sucesso de empreitadas semelhantes.

BLUE CLOUD 2011 - FELIPE E O TRABANT


"Olha, papai, olha! Igual o meu!"
A história do Trabant já foi comentada aqui algumas vezes e o modelo da foto também não é novidade para os frequentadores deste blog, mas eu não poderia deixar de registrar aqui o prazer de ver o filhotinho se divertindo com um dos seus modelos favoritos. Fomos gentilmente convidados pelo Flavio Gomes para dar uma volta em seu Gerd na carreata por Poços de Caldas no sábado e aproveito para registrar aqui algumas impressões sobre o Trabant. Quando entramos eu, o Flavio, minha esposa e dois filhos pequenos no carrinho, pensei que ele precisaria de potência máxima para se arrastar pela cidade, mas não foi o que aconteceu. Mesmo em velocidades baixas, deu para notar que o Trabant é bem esperto, trabalhando com sobra mesmo com três adultos a bordo. O câmbio na coluna de direção também não pareceu exigir maiores esforços do motorista e o espaço interno se equivale ao de um Fusca ou Gol da primeira geração. Acabamento simples, mas com bancos de tecido aveludado, lembram os dos VW nacionais dos anos 80. Enfim, certamente um veículo antiquado para os padrões do primeiro mundo da época, mas longe de ser o desastre que o grande público acredita. O conforto? Bem, o Felipe dormiu no caminho, tal como faria em um Galaxie ou Mercedes, por exemplo...

BLUE CLOUD 2011 - ENCONTRO DE GERAÇÕES


Uma bela Vemaguet 1965, em estado tão impecável quando o da Belcar do post anteior, aguarda a descida da bagagem na porta do Palace Hotel para pegar a estrada de volta. Logo atrás, a sua releitura de 1996 lhe faz companhia...

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

BLUE CLOUD 2011 - PERFEIÇÃO NOS DETALHES


Dos 95 DKWs e parentes de dois tempos que participaram do encontro, cerca de 80 estavam em estado bom ou ótimo, uma marca espetacular para qualquer evento de antigos. E desses, cerca de 30 ou 40 estavam em condições de participar de qualquer concurso de elegância do mundo, de modo que ficou difícil selecionar um para este post. Acabei me rendendo ao charme dessa Belcar vermelha 1961, que conserva até o sistema elétrico 6V e foi rodando os 470 km entre BH e Poços de Caldas. Conversando com seu discreto proprietário (que não sei se gostaria de ver seu nome publicado aqui), descobri que é o mesmo do impecável Fiat 147 premiado com o troféu JK no Brazil Classics 2010. Cada vez mais, as coleções de veículos nacionais estão de encher os olhos!

BLUE CLOUD 2011 - OS IRMÃOS DO LESTE


Como se sabe, os carros fabricados na antiga Alemanha Oriental até 1990 eram provenientes de projetos DKW dos anos 30, já que as indústrias da marca ficavam em cidades ao leste do país e acabaram estatizadas após a ocupação pelo Exército Vermelho no final da II Guerra, tendo sido o complexo produtor da Auto Union renomeado IFA. Portanto, um Blue Cloud não seria completo sem a presença de representantes da DDR. Houve dois: o Trabant do Flávio Gomes, do qual falo em um próximo post, e essa perua Wartburg Camping 311 1964, já velha conhecida da turma do dois-tempos. A Wartburg não fazia parte da IFA, mas de outro complexo, denominado VEB, que aproveitou uma fábrica da BMW que ficou nas mãos dos soviéticos, mas preferiu produzir veículos de menor custo, mais condizentes com o modelo sócio-econômico apregoado pelo socialismo. Carro interessantíssimo que, ao que parece, foi trazido para o Brasil em conta-gotas por um importador independente cujos folhetos de propaganda exaltavam a tecnologia da RDA!

BLUE CLOUD 2011 - OS PRIMEIROS E OS ÚLTIMOS



Uma das partes mais interessantes de um evento de antigos é notar a evolução do desenho dos modelos, especialmente quando colocados lado a lado. Selecionei aqui dois encontros interessantes, o do Grande DKW-Vemag de 1959 (idêntico ao pioneiro 1958) conversando com o Belcar 1967 da primeira série, que só se diferencia do derradeiro pela presença da pequena lanterna no paralama dianteiro. Na outra foto, "primeiro e último" não é força de expressão: lado a lado, estão o Malzoni II, já comentado aqui e a última unidade dos cerca de 200 Puma GT com motor DKW produzidos, feita sob encomenda já em 1968, com estoque de peças remanescentes da Vemag.

BLUE CLOUD 2011 - A MUSA


Peço desculpas aos Vemagueiros mais nacionalistas, mas, se houvesse um troféu Best of Show para o evento, meu voto seria para essa magnífica Sonderklasse 3=6, com embreagem SaxOmat, de 1957, um ano, portanto, antes da absorção da Auto Union pela Mercedes e a adoção do parabrisa panorâmico visto no Auto Union 1000S Coupé, que não casou com o desenho do carro. Nota-se, nesse exemplar, como o acabamento do modelo alemão era muito superior ao dos Vemag nacionais, com tecidos nobres ao invés de courvin, e como a influência da escola americana (carroceria tipo cupê hardtop com vidros traseiros panorâmicos) fez bem ao desenho do DKW F-93. Sobre a unidade da foto, pedigree é o que não lhe falta: atualmente, está sob a guarda da família Witzke, simplesmente os primeiros concessionários autorizados da Auto Union no Brasil, ainda nos anos 30. Seu proprietário anterior? Domingos Fernandes, presidente da Vemag, por ocasião do fechamento do acordo de produção dos DKW alemães sob licença. Como se não bastasse tanta história e o estado absolutamente impecável do cupê, a família aproveitou para expor junto com ele o troféu da vitória a bordo de um DKW em um Rally realizado em 1961 em... Poços de Caldas!

domingo, 21 de agosto de 2011

BLUE CLOUD 2011 - A REESTRÉIA


Um dos pontos altos do encontro foi o aparecimento, pela primeira vez para o grande público, do Malzoni II, de 1963, o primeiro GT concebido por Rino Malzoni, ainda de chapa, que efetivamente competiu - e venceu - no incipiente automobilismo brasileiro dos anos 60. Lindíssimo, ostentando um equilíbrio de formas digno das melhores escolas italianas, a baratinha, restaurada por Kiko Malzoni, teve a honra de ter sido novamente conduzida por Mário César de Camargo filho, o Marinho, quase 50 anos depois da sua primeira vitória a bordo de um legítimo GT 2T.

BLUE CLOUD 2011 - A FESTA DOS DOIS-TEMPOS


Caros amigos, nos próximos dias o Antigomóveis se dedica a comentar o que de melhor foi visto no Blue Cloud deste ano, que ocorreu no Palace Hotel em Poços de Caldas, cuja arquitetura dos anos 20 foi um ótimo pano de fundo para os clássicos DKW. Sempre achei que ir a um encontro desses sem um carro antigo - como os amigos sabem, eu ainda não tenho um DKW - era algo como ir em mangas de camisa em uma festa com traje a rigor, mas o clima intimista, de autêntica camaradagem desse evento, desfez qualquer mal-estar que pudesse ocorrer entre os que estavam "a pé" e, mesmo sem conhecer ninguém, fui muito bem recebido em todas as rodas de conversa sobre as pequenas maravilhas, que se estendiam até altas horas. Vale notar que o Blue Cloud, tal como o Mopar Nationals e o Amigos do Galaxie, apontam para a consolidação de eventos focados em uma única marca ou modelo, uma proposta mais interessante do que a infinidade de pequenos encontros genéricos que ocorrem por aí e acabam canibalizando uns aos outros. Faço aqui um agradecimento especial ao Flávio Gomes, figura extremamente simpática que acolheu com enorme carinho a mim e à minha família em seu Trabant para a carreata pela cidade, para deleite do Felipe que, de todas as miniaturas que herdou da minha coleção, sempre teve apego especial pelo pequeno Sachsenring. Em breve algumas pinceladas sobre o encontro!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

CORDEIRO EM PELE DE LOBO


Quem tem menos de 30 anos não faz idéia do estardalhaço que cada lançamento da indústria automotiva provocava entre os entusiastas até meados dos anos 90, quando os importados se firmaram de vez no país e as novidades ficaram cada vez mais banalizadas. Mas, de todos os que ficaram no meu imaginário, poucos foram tão marcantes como o do Fiat Tempra em 1992. Com linhas arrojadas e elegantes, motorização 2.0 e esbanjando modernidade, ele afirmava a posição de vanguarda da Fiat entre as "quatro grandes" nacionais ao mesmo tempo que tirava da fábrica de Betim o estigma de produtora de carros populares. As publicações especializadas saudavam o Tempra como cópia do modelo italiano, um projeto moderno que fazia muito sucesso na Europa. A chegada do Tipo italiano ao mercado brasileiro dois anos depois, entretanto, intrigava os mais observadores: o Tipo era infinitamente mais espaçoso (quando o esperado seria o contrário, a exemplo dos Gol/Voyage de então) e o intercâmbio de peças era muito pequeno para carros saídos do mesmo projeto. O mistério se reafirmou ainda mais com a chegada do Tempra SW ao nosso mercado um ano após o Tipo. A explicação é que, do projeto original do Tipo Tre italiano, o nosso Tempra só tinha o estilo. Sua mecânica era herdada do ultrapassado Fiat Regata argentino, bem menos eficiente do que o fabuloso 2.0 visto aqui no Tipo SLX (tive o prazer de dirigir um quando novo e fiquei maravilhado com seu desempenho), e a plataforma tampouco era do Tipo, mas sim do Fiat 131, que já estava obsoleto na Europa, justificando a arquitetura interna completamente diferente da do primo italiano, com aproveitamento bem menor do espaço. Nunca vi nada publicado a respeito, mesmo em revistas e sites tidos como de referência, muito menos na páginas dos clubes do Tempra espalhados por aí. Para quem se indignou com a Fiat, é bom lembrar que as "segundas gerações" dos concorrentes Monza e Santana também aproveitavam o estilo mais moderno dos seus sucessores europeus (Vectra e Passat, respectivamente) conservando plataformas antigas, mas a GM e a VW não foram tão hábeis quanto a Fiat em maquiar seu produto, mostrando o quão acertada foi a campanha de lançamento do Tempra. Seus sucessores, Marea e Linea, que tinham projetos realmente modernos, nunca tiveram o mesmo apelo entre a classe média.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O "MONZA" NOSSO


Peço licença aos admiradores do Chevrolet que foi o sonho da classe média brasileira nos anos 80 para fazer um trocadilho com o título do post anterior. Incrível a semelhança de proporções e de concepção entre o GT Malzoni da foto acima e o DKW Monza dos alemães, com a diferença apenas em detalhes de estilo, sendo que o Monza é mais teutônico, com os paralamas dianteiros lembrando um pouco os do Mercedes 300 SL, enquanto o Malzoni já tem a cara das berlinettas italianas dos anos 60. Confesso que cheguei a pensar em reeditar o Europa x América de priscas eras, mas achei que seria uma heresia comparar essas duas jóias. Um detalhe interessante é que, graças à genialidade de Jorge Lettry, a mecânica das versões de rua do esportivo da Vemag desenvolvia em torno dos 50 cv líquidos, cerca de 10 a mais do que o esportivo alemão, que se valia do mesmo trem de força. A foto é do Brazil Classics 2006.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O "MALZONI" DELES


Tal como ocorreu no Brasil nos anos 60, a DKW alemã viveu tempos de glória no automobilismo na década anterior, graças ao desempenho entusiasmante do motor dois-tempos que, naquele período de restrições, se pareava com unidades de cilindrada muito maior - quem não se lembra do slogan 3=6, que insinuava que um motor de três cilindros da marca oferecia desempenho de um seis cilindros de quatro tempos? Curiosamente, também como ocorreu no Brasil, a DKW corria com seus sedãs de produção normal, tendo o puro-sangue da marca nascido fora da fábrica, a partir da iniciativa de um grupo independente de entusiastas que, posteriormente, ganhou apoio técnico oficial e autorização para estampar orgulhosamente as quatro argolas na carroceria do bólido. E a última semelhança: ambos eram de fibra de vidro. Se o nosso GT Malzoni nasceu na fazenda de Rino Malzoni em 1964, a partir das experiências das pistas de Jorge Lettry, o Monza alemão, construído entre 1956 e 1958 em números tão restritos quanto os do GT brasileiro (cerca de 80 unidades, das quais pouco mais de 40 sobrevivem), surgiu da iniciativa dos pilotos Günther Ahrens e Albrecht Mantzel, que corriam com os F-91 nas provas de turismo européias. A produção ficou a cargo de algumas concessionárias da marca, tendo o Monza se revelado um sucesso graças ao peso reduzido e à disposição dos 40 cv do motor dois-tempos de apenas 0.9 litro. Alguns contemporâneos famosos foram o Cisitalia e os primeiros Porsche 356, cujos números de cilindrada, potência e desempenho eram próximos aos do esportivo de Ingolstadt. A produção, entretanto, foi precocemente interrompida por ordem da própria Auto Union, então sob controle da Mercedes, para não canibalizar as vendas do modelo 1000 SP, um cupê inspirado no Thunderbird americano lançado em 1957 e cuja veia esportiva nunca chegou nem perto de repetir a do Monza.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

CARRO ROUBADO - 4



Infelizmente, comunico aos amigos o desaparecimento de mais um antigo. Dessa vez, trata-se do TL 1973 das fotos acima, placas DHY 4423, furtado dia 28/07 em São Bernardo do Campo, no bairro Jardinópolis. Informações devem ser direcionadas a Gabriel Sanchez no (11) 6570-8301 ou 2331-8719 ou ainda no gabriel.ocs@hotmail.com. Vamos ficar atentos!