Lola Le Mans
Há 2 horas
Uma volta nos automóveis antigos e clássicos que marcaram época
Surgida em 1954 após a associação das marcas Nash e Hudson, a AMC decidiu preservá-las em um primeiro momento, já que os Hudson ainda carregavam o prestígio alcançado nas pistas da Nascar e os Nash dominavam alguns nichos específicos do mercado, especialmente dos compactos. Entretanto, apesar dos investimentos, as vendas não reagiam, de modo que a corporação decidiu extinguir ambas as marcas em 1957 e criar a Rambler, nome que já designava um bem-aceito modelo da Nash desde o início da década. Na verdade, a Rambler já havia sido uma marca norte-americana entre 1900 e 1914, tendo sido absorvida pela Nash em 1917 após ter o nome trocado para Jeffery. Para a reestréia, um quatro portas com carroceria monobloco e um V8 250 (4.1 litros), usado anteriormente nos Nash Ambassador e Hudson Hornet, como opção ao seis em linha 196 padrão (3.2 litros); havia também o hardtop sedan com motorização mais apimentada (um V8 327, de 5.4 litros), chamado Rambler Rebel, e a SW, todos com o mesmo estilo exótico e marcante do modelo Custom 1957 da foto acima, que estreou no recém-findo encontro de Lindóia/2010 e foi fotografado pelo Guilherme Gomes. Na opinião deste blog, foi o grande destaque do evento, tanto pela raridade no Brasil quanto pela restauração primorosa, tendo faturado o troféu FBVA. 

Depois que a popular Hyundai virou marca de prestígio no Brasil graças ao marketing agressivo do importador (que chegou a insinuar que o Azera seria superior ao BMW Série 7!), será que alguém já considera modelos como o Excel acima dignos de coleção?
Como já havia algum tempo que uma das jóias do Og Pozzoli não aparecia por aqui, voltamos em grande estilo com o Chrysler L-80 Imperial Dual Cowl Phaeton Le Baron 1928, vencedor do Troféu Roberto Lee em 1991 e visto pela última vez pelo grande público no Brazil Classics 2006. Concebido em 1926 para concorrer na faixa dos Lincoln, Cadillac e Packard, o Imperial deu muito prestígio ao grupo Chrysler ao ter sido o escolhido como carro-madrinha da Indy 500 daquele ano e devia o "80" do seu nome à velocidade máxima em milhas por hora (130 km/h), embora o modelo 1928 do Og, já com a cilindrada do straight-six aumentada para 5.1 litros, fosse capaz de alcançar as 100 mph (160 km/h). Le Baron era o nome da encarroçadora ligada à Chrysler que acabou sendo absorvida pelo grupo, como ocorreu com a Fleetwood e a GM. Curiosamente, foi esse modelo o escolhido para a primeira capa da saudosa Motor 3 do José Luiz Vieira, como lembrado há pouco no Auto Entusiastas, mas o Le Baron do Og tem outra importante honraria: foi a bordo dele que o Papa João Paulo II viajou de Aparecida a São José dos Campos em 1980, na mesma visita em que ele desfilou no Lincoln 1938 que já apareceu por aqui. Mas, dessa vez, o generoso colecionador não foi o motorista de Sua Santidade, cedendo a honra ao seu mecânico de confiança na época, cujo nome não consegui resgatar.
Quem tem carro antigo sabe o quanto é difícil usá-lo no cotidiano. Trânsito pesado demais, vagas apertadas e sujeitas a intempéries e pequenos esbarrões, falta de ítens de conforto para o tempo que se gasta dentro do carro e, mais recentemente, o risco enorme de furto, têm desencorajado mesmo os mais animados. O jeito é se conformar em ter um carro qualquer para o dia-a-dia, certo? Nem sempre. Tenho notado que alguns leitores deram um jeito de encontrar um carro com pedigree para a labuta diária sem ter que se sujeitar tanto aos problemas descritos acima e é a esses "novos clássicos" que dedico a nova seção do blog, começando em grande estilo pelo Chrysler 300M, o carro de uso do Alexandre Badolato. De estilo inconfundível - belíssimo, na minha opinião - ele deu seqüência às letras da série 300, interrompida no 300L de 1965 (houve um 300 isolado, sem letra, em 1970) e sua dianteira tem alguma identificação com o clássico 300G, embora as quatro portas e o V6 3.5 com tração dianteira lembrem ao motorista o quão distantes estão anos de ouro da linha 300. De qualquer forma, o 300M, feito de 1999 a 2004, será lembrado como o último grande produto inteiramente desenvolvido pela Chrysler (antes da fusão com a Mercedes) e seus 253 cv são mais do que suficientes para lhe dar um desempenho diferenciado; de quebra, ele abriu caminho para a ressurreição da série, fazendo com que sua vaga no Museu do Dodge esteja garantida em um futuro próximo.